Webwriter brigar com jornalista é bobagem

18 de agosto de 2008 às 12:02

Há uma contradição óbvia em quem se julga bem informado e torce contra Diogo Mainardi, o colunista da Veja.

Seria intrigante encontrar nela um estilo de redação diferente no contexto do público-alvo para o qual a publicação e direcionada .

E para quem critica a parcialidade da revista, por levar o conteúdo para uma visão político-social reacionária e direitista, deveria antes se perguntar sobre a constituição do povo brasileiro. Vivemos em uma sociedade vertical e a mídia somente reflete esse aspecto.

Encontrar uma redação a favor dos pobres na Revista Veja seria algo equivalente às favelas retratadas nas novelas da Rede Globo; um cenário surreal.

O conteúdo elitista da Veja não é uma imposição da classe dominante. É uma característica da cultura popular brasileira. Os pobres talvez sejam até mais preconceituosos com a pobreza do que os ricos.

Eu vejo as denúncias de Mainardi contra os partidos de esquerda sobre outro aspecto: são observações positivas. A convivência com as classes populares desde sindicatos, operários, jovens carentes entre outros, nos fez perceber a incapacidade de surgir iniciativas que signifiquem rompimento com o estado político-social com o qual essas classes convivem.

Ainda há esperança! E uma das maneiras em que essa esperança se materializa, ao contrário do que foi sugerido por Duda Mendonça não significa eleger um “presidente pobre” para salvar os pobres.

Ora, essa conotação mesquinha sobre esperança, após quase oito anos de convivência com um governo “esquerdista”, nos alerta que a esperança se constitui em algo mais amplo: conviver com a diversidade de opiniões e idéias. Entre elas, as de Diogo Mainardi.

Tudo bem. Por ser reacionário, Mainardi carrega em seu discurso muito preconceito, muito liberalismo (liberalismo com toda aquela malandragem burguesa mesmo) e esses aspectos do seu texto o colocam em pé de igualdade com qualquer zine marxista universitário (somente as cifras ganhadas com as publicações são um pouco diferentes).

O texto Seu banana, seu blogueiro! de César Paz vai nesse estilo. Com a paixão pela ascendência dos blogs ele comete um reducionismo do tema. Ele transforma uma briga entre Nascif e Mainardi, a uma briga entre velhos e novos meios de comunicação, o que não procede.

Inclusive os blogueiros gostam muito de festejar o seu ar de inovação, gostam de citar exemplos do exterior, talvez até citem o GoogleBomb do Senado Federal como um grande evento que mudou vida da nação, mas é tudo bobagem.

Qualquer edição da Veja mexe muito mais com a política nacional. Tem penetração muito maior na vida dos formadores de opinião. E alguns apontamentos nos textos de Mainardi são relevantes sim, a ponto de comporem provas em casos como o escandâlo da “fusão” entre Brasil Telecom e OI.

Não adianta festejar as inovações da geração de conteúdo pelo usuário. Ou festejar a ascensão de uma suposta nova mídia independente. A questão não é liberdade para publicar ou comentar na internet. Já possuímos um falso sistema democrático que é festejado desde os tempos da Grécia. A participação popular em discussões sócio-políticas sem preparo crítico para isso gera maior abismo social, além de gerar situações cômicas, vide o futuro nas pérolas do Enem.

Os garotos de 15 anos, com quem trabalhamos, não vêem a internet como essa mídia revolucionária que vocês profissionais gabaritados gostam de espirrar em suas palestras. Assim como incorporamos a televisão ao nosso cotidiano a internet é incorporada ao deles sem grandes implicações sociais.

A tiragem de alguns jornais cairá? Muitos deixarão de existir? Muitos jornalistas não irão se adaptar ao dinâmico mundo da internet? É provável. Assim como muitos professores, muitos administradores e muitos outros profissionais também não se adaptarão. Todavia os veículos de mídia e os profissionais que estudarem, reaprenderem e reinventarem sua maneira de agir frente aos desafios da sua época, somente ganharão mais público e maior sucesso editorial, e isso vale para todos, inclusive os blogueiros.

O uso que se faz da internet nos EUA é diferente do que se faz no Brasil, por uma razão simples: São culturas distintas. Não vamos misturar as coisas, nem sonhar acordado. Não vamos imaginar que os brasileiros vão tornar o Orkut um meio revolucionário para mudar o país.

Blogueiros que me desculpem vocês podem ser muito revolucionários nos BlogCamp’s da vida, mas nem meio de comunicação um Blog é. Um blog é uma plataforma de conteúdo e só isso. A diferença mais uma vez está entre a cadeira e a máquina, e isso vale desde os tempos de Gutenberg.

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Livros grátis e ebooks ensinam como escrever bem na internet

30 de outubro de 2007 às 7:17

Se você deseja tornar-se um bom redator/editor de web deve aprender com as pessoas que fazem web.

Tenho uma boa notícia para você. Os maiores webwriters (o que é um webwriter?) do Brasil disponibilizam seus trabalhos em e-books (o que é um ebook?):

Veja algumas iniciativas interessantes:

1) Paula Lee escritora brasileira que lançou recentemente o livro: Alugo o Meu Corpo - fiz a resenha desse livro aqui - que possui um dos blogs mais lidos na internet.

Em sua página de download’s, ela disponibiliza gratuitamente dois títulos. São postagens/contos que ela dissertou em sua página.

2) Biajoni e o Sexo Ana Uma Novela Marrom. Não é nada disso que você está pensando, a temática do sexo escancarado dá lugar a um estilo de escrita do Biajoni que é próprio dos blogueiros. Uma velocidade incrível entre os quadros, uma dinâmica narrativa das mais agradáveis, que prende do início ao fim. Vale a pena baixar e é grátis…

3) Outro que faz um ótimo trabalho em parceria com o Biajoni é o Alex Castro. Os livros de Alex e Biajoni podem ser encontrados nessa editora experimental: Os Viralata.

4) Um portal destinado ao compartilhamento de livros online é Detonando. Acesse o fórum e participe! Lá você encontrará muita gente bacana. Pessoas hávidas por informação. Eles estão promovendo a “democratização da leitura” através da distribuição livre de várias obras.

Você que não é do meio deve achar muito estranho as temáticas sugeridas. Deve achar até que eu sou um pervertido e que as pessoas acima também o são. Sabe que ocorre justamente o oposto. Com excessão do Alex Castro, todos nós somos normais.

Brincadeiras à parte. A questão central é que os editores mencionados abordam os assuntos que mais interessam as pessoas. E por acaso sexo é um deles. Está na hora de você se dar conta que a repressão que os seres humanos sofrem com relação a esse assunto assunto, estimula muito, a sua procura em um espaço tão “livre” como a internet.

Muito se questiona com relação às consequências dessa suposta liberdade. Até porque qualquer criança hoje tem acesso as mesmas informações que eu e você. Eu vejo isso não como um desafio social, mas um desafio familiar. Os pais devem repensar a educação que oferece aos filhos. E antes de solicitar que os governantes controlem a internet, devem avaliar se o melhor controle não é aquele que pode ser exercido dentro de casa.

É evidente que se você deseja escrever na internet e ganhar audiência deve trabalhar nos assuntos que a audiência procura. Não se iluda a palavra “sexo” sempre foi a mais procurada em qualquer sistema de busca. E afinal de contas, sexo não é tão ruim assim, não é?

Mas enfim, mesmo que o assunto que você deseja explorar não tenha muita relação com o tema “sexualidade”, é possível encontrar um link nas leituras mencionadas com temas externos. Alias na minha visão tão crítica fui capaz de interpretar que o livro de Biajoni quase não fala de sexo. Como assim? Não estou falando do plano objetivo, mas subjetivo. Biajoni tratou muito das questões que relacionam poder entre classes profissionais. Principalmente eu que sou por essência um profissional de administração. E no livro encontramos um profissional que administra o setor de pessoal de uma empresa, mas não é incapaz de adminsitrar sua própria família. Enfim, são inúmeras as metáforas, e incontáveis os aprendizados dessas obras.

O debate está aberto, utilize os comentários para colocar suas idéias, vamos interagir!!!

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Como escrever um texto bacana na internet

29 de outubro de 2007 às 6:51

A prática mais sadia de quem escreve na internet e deseja manter sua audiência cativa é não cansar quem o lê.

Sempre que abro minhas mais de 300 inscrições de RSS, que são organizadas para serem lidas 3 vezes ao dia, com uma sessão de no máximo 1 hora em cada - no futuro posso explicar melhor como consigo essa proeza. Pois bem, sembre que abro essas inscrições me pergunto em cada post o que faria uma pessoa dedicar alguns segundos do seu dia a ler uma postagem parecida com aquela, a minha quem sabe?

A fluência na linguagem ajuda. Mas o que é fluência? A metáfora é linda! Fluência é escrever seu texto como se ele fosse um rio que flui; que não dificulta a passagem dos olhos de seus leitores pelo texto; que os faça percorrer com avidez cada letra.

Hoje estou poético, não?

Postagens longas ou curtas? Não há uma regra definida isso depende muito do público (nicho). É regra geral dois paragráfos, concisão é tudo. No entanto, assim como o led zepplin fez aquelas músicas enormes e foi sucesso, existe a possibilidade de você conseguir a mesma façanha. Veja o autor do dinherama, por exemplo. Suas postagens desafiam a regra dos dois paragráfos. Porém, você possui a mesma bagagem que o cara? (Mesmo assim acabei de dar uma olhada na página principal dele, e as postagens estão bem enxutas.)

Outro erro muito comum é quando se utiliza um blog e o cara é travadão. O que é isso? Travadão!

Algumas pessoas esquecem que blog é blog, jornal é jornal, artigo científico é artigo…

Então é isso. Se você irá escrever textos que ultrapassam dez paragráfos, ele já se transformou em outra coisa diferente, quem sabe não é um tratado revolucionário? melhor subí-lo em um .pdf. Faça um resumo do que escreveu e disponibilize o .pdf para os malucos seus leitores apreciarem sem moderação.

Multiplos assuntos em uma mesma postagem.

É um erro crasso. Existem pessoas que são tão dispersas que inserem um título e nem sequer tocam no assunto. Ou começam com um assunto no primeiro paragráfo e já passam para outro totalmente contrário no próximo. Há quem negue sua própria afirmação em segundos. Reler o que se escreve é sempre bom! Eu geralmente tiro 30% de um texto após reler. A questão na internet é tempo. O leitor não fica mais de um minuto em sua página, não engane a si mesmo. A concorrência é boa, e é melhor indicá-la do que tentar tirar o leitor dela; poxa sobre isso temos muito a falar, não?

Hoje acordei inspirado.

Ahh!! Não siga essas regrinhas à risca. Eu mesmo já quebrei as minhas fiz mais de dois paragráfos.

Putz, depois do PR4 (o que é PR?) estou me achando, agora até dicas de como escrever bem na internet estou a passar.

O sucesso cansa!!! E HajaLuz

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