Vamos olhar primeiro para nossos defeitos e depois olhar o dos outros

16 de março de 2008 às 7:06

Nos últimos dias pensar é o que mais tenho feito. E agir também. Percorri algumas regiões em volta da Ufes, em busca de um imóvel barato. Acho um absurdo o preço que cobram para morar próximo à universidade. O aluguél varia entre um e dois salários mínimos.

Por outro lado, também penso que assumir essa postura mais agressiva vai me obrigar a gerar mais renda. Acho que esse lado é positivo. Muitas pessoas tem me icentivado em morar mais perto de onde passo o dia praticamente todo. Acontece que em alguns dias tenho disciplinas pela manhã e a noite e durante a tarde é um suplício. A solução é levar tudo para trabalhar por lá ou cancelar as disciplinas matutinas e partir para um emprego mais formal.

Esse suplício me fez repensar minha forma de agir e relacionar com as pessoas. Tenho refletido sobre a minha postura on e off line. Nos escritórios em que trabalhei cultivei uma postura muito rígida, nunca dei muita bola para as questões “políticas” nos locais de trabalho. E o que é uma questão política? É você se preocupar com o cotidiano pessoal do seu grupo. Uns descambam para as fofocas, outros tornam-se puxa-sacos, outros são os X-9. Tudo isso é questão política. Mas há também aqueles colegas que são amigos, cumplices, seguram sua barra, lhe cobre na sua falta, lhe protege contra armadilhas, isso também é questão política.

Eu procurei me afastar das questões políticas. Isso por um lado é bom porque eu não me enquadro na primeira lista, mas é ruim porque essa postura também me exclui da segunda lista. Com isso não preservo amizades, e não faço aquela poderosa network que em um momento como esse da minha vida seria de grande valia.

Durante muitos anos rejeitei a idéia de desenvolver o lado político e cultivei o desenvolvimento intelectual. Afundei minha cara em livros e passei a incorporar o espírito auto-ditada. É verdade que vou praticamente só em dias de prova na faculdade. Com essa postura não cultivo um relacionamento que vale muito mais.

Pois é, hoje penso melhor sobre isso e diante de tantas dificuldades, e depois da experiência em trabalhar com gente de péssimo caráter, eu decidi mudar meu comportamento. Ir a um lugar desconhecido e se aprensentar como consultor e começar a trabalhar para uma pessoa que você mal conhece é péssimo. É por isso que não estranho quando alguém nos alerta que devemos escolher para quem trabalhamos.

Quando existe uma rede de relacionamentos. Ao sermos indicados para alguns trabalhos estamos pisando em terreno preparado. Terreno que já foi testado. Então as coisas fluem com maior facilidade.

E quanto ao mundo on-line? Bom. Eu sou muito entusiasta da internet. Mas cá entre nós a realidade da Cidade de Vitória/ES, e da Ufes, ainda é dos anos 90. A internet chega aqui agora. Você de outra cidade pode achar isso engraçado, mas é um dilema para mim. Isso influência muito na minha vida profissional e acadêmica. Não consigo convencer professores na pesquisa e não consigo vender para empresários a Web semântica por aqui. Quando se fala em geração de conteúdo na internet as pessoas realmente não compreendem bulufas do caminho que desejamos levá-los, aí fica uma guerra de desinformação que sempre perdemos; mas mesmo feridos avançamos e vamos vencer.

Então, também decidi rever minha participação em listas de discussão e decidi rever o tom com que eu escrevo por aqui. Penso que levei para o ambiente on-line um ranço cultural. E me comportei como um típico capixaba que não gosta de ver o progresso e a inovação pois os considera como inimigos seus.

Meu perfil crítico não morrerá, e acredito que os leitores que obtive até então se devem a ele. Mas mesmo que ninguém me alerte diretamente sinto no ar que as pessoas gostariam que eu falasse mais do meu trabalho e menos do trabalho dos outros. A regra que vale para mim e para você é a seguinte: Quer falar bem de um trabalho? Fale com todo mundo! Quer falar mal de um trabalho? Mande uma mensagem individual e fale diretamente com o responsável por ele!

vamos olhar primeiro nossos defeitos para depois consertar o dos outros.

Enfim, quero me debruçar em realizações e não em textos críticos. Penso que essa prática reticente é fruto de gente fracassada. O que definitivamente não é o meu caso. Ao invés de charar pelas dificuldades acredito que tenho que dar valor às pessoas maravilhosas que me apoiam, como é o caso da minha professora/consultora. E penso também que esse ano será maravilhoso e repleto de realizações.

Vamos trabalhar com o foco correto para isso.

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A empresa feudal: patologia de algumas microempresas.

28 de fevereiro de 2008 às 4:11

Na sua adolescência você teve que entrar em contato com o Lima Barreto, através do Triste Fim de Policarpo Quaresma. É obrigação de todo aluno do Ensino Médio ler a história desse ilustre patriota que dedicou sua vida a preservar valores culturais e éticos que ninguém desejava preservar.

Um Dom Quixote brasileiro? Quem sabe?

Eu tenho vivido meus dias quixotescos. Voltar ao bairro onde cresci me despertou sentimentos libertários. Aquele velho heroísmo dos tempos de adolescente cristão voltou nos últimos meses, e as consequências foram quase trágicas.

Respondi agora um email de uma pessoa solicitando retirar uma postagem aqui do blog porque sentiu-se ofendido. Sabe aquela pessoa que você deseja virar a página mas a dor de cotovelo dele fala mais alto. E aí a pessoa vai te perseguir o resto da vida só para te entristecer? Eu suspeito disso.

Mas vamos transformar o limão em limonada.

Essa não é a minha primeira experiência em organizações que beiram o feudalismo. Exagero?

Existem ranços e vocês sabem disso. Existem ranços muito fortes em algumas organizações e localizações do nosso país. Trabalho escravo não é raro em regiões rurais.

E na cidade como é? A flexibilidade é o perigo. A frouxidão de contratos e de relações entre fornecedores, clientes, e trabalhadores gera consequências, em alguns casos, consequências piores do que a escravidão.

Ora Luiz, agora você é um administrador que crítica empresas?

Não necessariamente, as organizações econômicas sofrem de algumas patologias. Eu vi essa comparação de empresa com gente doente em um documentário - acho que foi o do Al Gore - sobre o meio ambiente. As organizações possuem a cara do seu patrono. Elas crescem do jeito dele. Infelizmente o crescimento econômico é um câncer na vida de algumas pessoas e de algumas localizações. Essa é a preocupação com relação ao meio ambiente. O que adianta uma cidade como São Paulo, tão rica mas tão insegura e caótica.

Tivemos essa sensação quando adquirimos um NoteBook. Temos medo de sair com ele na rua. Queremos fazer seguro para um produto que não custa sequer cinco salários mínimos.

Mas a patologia a que me refiro é outra. Voltamos ao Policarpo Quaresma. É um doente sem dúvida. Um louco!

Eu sempre desconfio de pessoas que desejam fazer o bem pela humanidade. Aquelas pessoas que sempre ajudam. Hoje conversei com minha mãe sobre isso. No meu bairro vários comerciantes são conhecidos por “ajudar” pessoas. Eles não assinam carteira. Pagam 30% a 40% de um salário mínimo a um trabalhador, e são vistos como alguém que ajuda à economia local.

Veio em minha mente na hora o Policarpo Quaresma. Veio também o sistema feudal. Penso que as periferias estão cercadas por um sistema de proteção social caótico. Justiceiros estão por toda parte; quase toda semana morre alguém porque estava à margem da lei local.

Lembro-me que nos primeiros dias que cheguei aqui, fomos de comércio em comércio pedir auxilio para um evento que se destinava a inclusão social. Era uma palestra que eu e Gislene fizemos sobre mercado de trabalho. Fui surpreendido por uma ótima recepção, mas em pouco tempo veio uma cobrança enorme que nós deveríamos devolver o que nos foi dado! Enfim, nossos parceiros não tinham o mesmo espírito de doação que nós tivemos. As contribuições nos custaram caro. É evidente que fizemos a divulgação das marcas, mas em dois meses de trabalho a exigência para que o curso devolvesse o “investimento” foi enorme.

É evidente que fizemos um curso para ter lucro, e para que nós também ganhássemos dinheiro. Mas a pressão é para que não gastassemos tanto com material. Não era necessário. Enfim! Um choque de cultura, que é comum encontrar em microempresas. Foco no custo, serviços péssimos para os pobres. Mas os desfavorecidos pagam assim mesmo pois vivem a ilusão da inclusão social.

Não dormiríamos bem com esse peso sobre nossos ombros. Mantivemos a qualidade do curso pelo menos por um mês mais. Conversamos com os alunos. Explicamos a situação. E conseguimos alugar um novo ponto com dinheiro do nosso próprio bolso. Sem denegrir a imagem da nossa parceira que fez o oposto e até hoje espalha pelo bairro que devemos a ela.

A patologia da microempresa é essa. Se perguntar a algum deles. Dirão que estão sofrendo, estão em crise, mas o carro é trocado todo ano.

Eles não prestam um bom serviço. Eu fico surpreso como as pessoas pagam mais caro por benefícios básicos e de obrigação do estado como: educação e comunicação; e ainda assim ninguém recorre, ninguém questiona. Às vezes vemos um ou outro berrando pelas ruas que é lesado. Mas é uma voz desesperada que pela agressividade perde a razão.

Diante de tanta arrogância já passou pela minha cabeça procurar o Ministério Público. Mas penso que o quixotesco seria eu; o Policarco seria eu. Policarpo ao contrário do que todos pensam não é mocinho; é um frustrado. Isso não sou.

A melhor resposta para o feudalismo é o empenho pela liberdade. E esse empenho se traduz para mim em conhecer o mundo, e trabalhar com novas possibilidades. É isso o que faço na Ufes. Quantos por cento dessa população onde vivo pisam naquela instituição e tem acesso ao que eu tenho?

É dessa forma que irei combater essa doença social. Sem radicalismo e sem achar que tenho a solução para esses problemas tão complexos. Vou me manter firme na universidade; vou tentar levar adiante esse trabalho de consultoria em Sistemas de Informação de maneira autônoma.

Para minha surpresa ao abrir minha caixa de email, haviam duas propostas de trabalho haje, é um sinal de novos rumos e de novas oportunidades.

Obrigado a todos que acreditam em nosso trabalho.

Os cães ladram mas a caravana passa…

Abraços e muita luz a todos!!

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O dia que eu torço para não chegar: 25 de Fevereiro de 2008

21 de fevereiro de 2008 às 17:13

Em dezembro de 2002 eu prestei vestibular para entrar no curso de administração da UFES. Ao receber a notícia que havia passado meus parentes foram ao meu trabalho me parabenizar. Foi muito engraçado aquele dia, porque levei uma bronca danada do meu chefe pois não poderia conversar durante o expediente.

Depois de tantas paradas, trancamento estou aqui entre o sexto e sétimo período. No próximo dia 25 de Fevereiro tenho que tomar a decisão de fazer matrícula em algumas matérias ou trancar por mais seis meses. E depois desse trancamento sou obrigado a voltar. Bom obrigado mesmo. Pois apesar de me identificar e trabalhar com administração, não suporto o jogo de cena que é imposto pela academia.

É aquela velha máxima do eu finjo que aprendo e você finge que ensina. Contudo não passa pela minha cabeça abandonar o curso. Não posso me dar a esse luxo. Ele é a minha tábua de salvação para reverter minha situação social. Mas talvez assim falo por não ver na minha frente outras possibilidades; bem que queria.

Tenho conversado com Gislene sobre a possibilidade de trabalhar no interior. Gostaria que surgisse uma proposta. Ou será que teria alguma atitude da minha parte que poderia acelerar esse desejo? Quem sabe você que me lê não estaria a precisar de um gestor/consultor/webmaster aí por perto?

Gislene fez um gesto muito bonito por esses dias. Deixou de aceitar uma ótima proposta de trabalho porque acredita em nosso projeto de consultoria em internet. E outros projetos mais que temos em mente. Mas as dificuldades são tantas que você nem imagina. Você acreditam que conseguimos montar um escritório - HomeOffice - aqui em Vitória, mas nosso bairro não tem acesso à ADSL, popular banda larga. Então tive que fazer um contrato maluco com um provedor local, que é até esforçado, mas convenhamos, para fornecer internet é necessário possuir uma estrutura/investimento bem melhor.

O dilema é enorme por esses dias. Estou um tanto angustiado. Acabamos de comprar um notebook e é possível agora termos uma certa mobilidade. Tenho o desejo de buscar parcerias em outros bairros para que possamos pelo menos compartilhar internet. Se alguém de Vitória/ES estiver na escuta fale conosco, por favor.

Escrever sobre isso me faz bem, é por essas e outras que é muito bom ter um blog…

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O comunismo das redes

1 de janeiro de 2008 às 0:14

Acredite: Existe vida inteligente entre a Bahia e o Rio de Janeiro, entre Minas e o Oceano.

Há um professor na minha universidade - sim existe universidade em Vitória/ES - que desenvolve um trabalho deveras interessante sobre essa onda toda de blogues, p2p e tudo o que rola nos sistemas colaborativos pela internet a fora.

Fábio Malini é editor do blog Jornalismo Digital.

O corajoso professor capixaba desenvolveu uma tese muito bacana:

O Comunismo das Redes - tese de doutorado.

Agradecemos a contribuição do professor e o interesse pelo tema. Me parece que a Comunicação é mais aberta. Esse semestre volto ao curso de Administração. Muito desmotivado por não ter professor que se interesse pelo que faço. Quem sabe por alguma obra do acaso não cruzo com um cara desses??

Ezequiel, intercede por mim aí…

Abraços e sucesso ao Malini!!!

ps1.: Pô Ezequiel, já te ofereci meu servidor cara!!! Tá com excesso de banda aquele blogue novo lá… tudo de bom aí no curso, já formou??

ps.2: Primeira postagem de um novo ano, começamos bem às 01:12… ô gente barulhenta que não me deixa dormir… o mundo comemora… será que todos irão cumprir o que prometeram??

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Para onde foi o Movimento estudantil universitário?

6 de dezembro de 2007 às 6:46

Eu sempre gosto de lembrar do meu primeiro trabalho com internet que foi o UNIVOU.

Confesso que fiquei muito triste quando tive que parar. Imagine você que em cada lista de estudantes que eu tentava divulgar o trabalho e era expulso porque fugia ao escopo do grupo.

Ora eu acredito que os assuntos, apesar de não estarem dentro de um escopo objetivo do grupo, eram de interesse geral. Eu apresentava textos sobre a UNE e visava debater o cenário do movimento estudantil. Mas isso está fora do escopo dos estudantes brasileiros.

Nos últimos dias tenho visto ex-estudantes, jornalistas questionarem muito o movimento estudantil. Penso que é senso comum colocar a culpa na UNE pelas mazelas do movimento, da mesma forma que é inverossímel a maioria do povo culpar a classe política pelas mazelas do país.

A mobilização política, seja dos estudantes, seja nos sindicatos, seja ela de qualquer classe, está demode. O negócio é a luta pela sobrevivência e o salve-se quem puder.

Os jornalistas pegam muito no pé dos estudantes pela fraqueza do movimento em questão. Mas porque também não pensarmos que a mídia é um fracasso com relação a exercer boa influência nos políticos. Ora ela é conservadora, ora ela é denuncista, mas nunca torna-se efetiva com relação à mudanças na sociedade. A não ser nas mudanças de seus escusos interesses.

Se a “pelegada” se estender a todas as classes então eu assino em baixo a charge exibida no site do Cláudio Humberto.

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