As fases da vida e os ciclos da sociedade
29 de março de 2008 às 23:31Você já observou como nossa vida é feita de fases e elas possuem correspondência com uma série de expectativas e rituais na sociedade?
Vejamos:
NASCIMENTO
Um novo ser chega à nossa convivencia. Cercamos ele de cuidado. Você já percebeu a indignação de todos quando uma mãe abandona um filho? Uma mulher grávida “fica mais bonita”, apesar de na verdade, ser feia para os padrões esteticos.
Quem sabe não é uma compensação inconsciente?
Assim como em muitas outras fases, todos desejam ajudar. Surgem presentes. A família e os amigos se reúnem para ofertar algo aos futuros pais. Nos países desenvolvidos há todo um planejamento para o futuro do filho.
PUBERDADE
Veja os exemplos de Malu Magalhães e Alexandre Pato. Eles representam a esperança de um “novo tempo”. A sociedade sempre está em busca de pupilos que lhe trará mais ética, mais descência. As empresas com seus programas de Trainnes querem “sangue novo”, mão de obra sem vícios. É uma garotada que chega para mudar. No meu curso pelo menos uns cinco colegas garanham carros da família quando passaram no vestibular. Eles viraram adultos, e na cabeça de seus pais deveriam receber um estímulo para mostrar sua superioridade, tanto a intelectual como a material sobre os demais que não ganharam o mimo.
CASAMENTO
Ao contrário do que parece a família é uma instituição cada vez mais valorizada. E toda vez que um homossexual desejar reconhecimento jurídico da sua união é porque, na verdade, eles desejam ser tão família como qualquer outra.
O casamento é um ponto de equilíbrio na existência humana. É um momento de gerar novos seres e recomeçar toda a história. No caso dos homossexuais, por exemplo, uma das reivindicações é a possibilidade de adotar crianças. E o que isso significa senão receber o poder do estado para educar novos cidadãos?
Novamente, assim como no nascimento, a sociedade cerca o casamento. A sociedade inclusive celébra a fusão de duas famílias em uma nova. Os mais abastados recebem imóveis de presente e toda a segurança que poderá garantir o sucesso dessa nova instituição. O que ocorre quando há uma diferença social? Ou a família vira as costas ou apóia um conjuge, daí surge a ascensão meteórica de um ou outro.
APOSENTADORIA
A experiência depois de algum tempo torna-se um empecilho. É necessário uma renovação compulsória. O homem desde a puberdade até a aposentadoria troca experiência por desejo. Podemos pensar em um gráfico de trocas, cujas retas se cruzam no casamento para depois distanciarem-se cada vez mais. Talvez por isso os velhos e as crianças andam tão juntos, quem sabe não é uma tentativa de aproximar essas retas?
Mas a vida está lá para separar e apontar trajetórias diferentes. A sociedade está lá com suas cobranças e rótulos; enquanto para as crianças surge a imposição de conhecer o mundo, para os velhos surge a necessidade do descanso. Nessa fase a sociedade se distancia, já não há expectativas. Já não há muito o que presentear, tudo o que deveria ocorrer já ocorreu. A aposentadoria vira um destino, nela é necessário procurar grupos de afinidade; viajar e matar o tempo até a próxima etapa.
MORTE
A hipocrisia social se manifesta com intensidade nesse momento. Por pior que seja a identidade que abriga um corpo no caixão. Naquele momento do funeral, o corpo está vestido com dignidade e o funeral é cercado de boas recordações pelos familiares e amigos. Há um respeito, um silêncio de consideração por alguém que cumpriu seu dever.
CONCLUSÃO
Eu confesso que não respeitei a maioria dos rituais na minha vida. Pensei sobre isso hoje quando li uma postagem no Obvious. Eu errei em não mostrar para a sociedade e para a família algumas virtudes enquanto homem. Como o caso de não oferecer uma festa de casamento, ou pagar uma formatura. Também veio a separação e desde então sinto um vazio cada vez em cada passo adiante. Eu senti muito isso agora por ocasião da mudança. A única pessoa que me ajudou e compareceu de fato por aqui foi Gislene. Eu pensei muito sobre isso. Quando rompemos com alguma etapa, quando pulamos aquela ordem logo acima, somos brutalmente penalizados pela sociedade.
A moça que aborta; O rapaz que não estuda; O casal que não casa; O velho que quer trabalhar; E o idoso que não morre. Todos eles rebelam-se contra a natureza e os códigos sociais de uma forma que é brutalmente penalizado. Só com muita força para superar o sofrimento que isso traz.
Na verdade os ciclos mudam de acordo com a cultura. Aí é que está a diferença de um país rico ou pobre. Onde há riqueza os ciclos são mais flexíveis. As mudanças são compreendidas com maior facilidade, e busca-se amparar as pessoas que fazem suas opções à luz da sua própria opinião. Isso porque o coletivo não pode se sobrepor em importância à esfera individual; se você nunca entendeu o que é liberalismo entenda agora.
O chato é quando você vive em uma cultura conservadora e a economia quer avançar a qualquer custo, então, surge um claro choque de valores. Esse é um grande problema da tentativa de aplicar o liberalismo no terceiro mundo.
Mas há solução para o meu caso. Eu sempre digo que vivo entre dois mundos. Quando olho para o passado vejo essa cultura hipócrita conservadora me cercar. Mas quando olho para o futuro eu vejo um mundo de oportunidades. É a escolha entre prender-se à mediocridade de valores ou a verdadeira prosperidade. E a prosperidade é uma consquência de decisões sábias e serenas. Decisões que são tomadas diante do respeito às metas e esperanças que surgem lá na puberdade para quase todo ser humano. Esses objetivos só morrem quando são obstruídos pela força da mediocridade.
É a velha história amigo. Ouvir a quem? Trabalhar para quem? Por quem? Quem é digno de acompanhar e desfrutar dos seus ideais e dos seus sucessos?
É aquele/aquela que está ao seu lado para legitimar um ciclo social? Talvez a grande dádiva da vida é ter pessoas conosco justamente nas horas em que ninguém lhe deposita crédito. E até mesmo na hora em que você quebra uma regra social. É nesse momento que se descobre o quanto valemos.
Não pelo respeito às formalidade da boa convivência com o meio externo, mas pelo respeito às convicções que somente um vitorioso pode sustentar.






