Porque o golpe do cansei não deu certo com Lula?

17 de agosto de 2007 às 7:49

Max Weber disse que o poder nas organizações capitalistas seria orientado por três tipos de lideranças: A tradicional, a racional-legal e a carismática. Obviamente o atual presidente se utiliza da última. Mas para as pessoas não dizerem que minha postagem é fora Lula, é bom deixar claro que sou da opinião que o presente governo é fruto de um momento histórico.

Ele não foi eleito por acaso. E esse discurso que sua eleição é o desejo representativo das massas, esse papo todo, esconde o desespero da sociedade em relação ao neoliberalismo. Lula foi a esperança para vencer o medo, lembra? Sim, a esperança de um estado forte e atuante frente aos interesses dos grupos financeiros, grupos privatistas, grupos vampiristas, e por aí vai.

Mas o que o Lula e o PT demonstraram nesses anos de governo? Demonstraram que fazem muito bem o papel de críticos da ordem neoliberal, porém também provaram sua incapacidade de modificá-la na medida em que foram investidos de autoridade para isso; e agravaram mais ainda o estado de miséria e violência a que estamos submetidos.

O Lula e o PT vivem o mesmo pesadelo que denunciaram tão bem durante sua trajetória ao poder. A cada projeto enviado ao parlamento, milhões de reais são trocados pelos votos dos deputados e senadores. Centenas de cargos são negociados em repartições publicas. Esse é o preço que se paga por um governo carismático.

Já vivemos o governo tradicional com os militares, o Collor trouxe o carisma populista de Getúlio, com aquele apreço pelo desenvolvimentismo de JK, porém com um discurso de moralidade pública: “o caçador de marajás”. Esse discurso era a cereja do bolo, e o vínculo com a cultura neoliberal. FHC, por sua vez, buscou racionalidade econômica para colocar o país dentro das exigências de um possível mercado global em detrimento da rede de proteção social.
Então digamos assim: Lula entrou em um momento de descrença com a história descrença em modelos e soluções radicais. Implantou o governo da moderação de atitudes, e até hoje não se espera muitos movimentos bruscos na economia ou em setores críticos, essa pode ser a explicação para a popularidade do Lula, ele entrou em um momento que o povo deseja muito discurso sobre mudança, seria uma mudança verbal, um transe, não é verdade?

Collor sofreu um golpe branco, todos nós sabemos disso, a presidente da UNE acabou de dar uma entrevista com uma explicação nebulosa sobre o Fora Collor:

Lúcia Stumpf - Imagina. Foi tudo comprovado. A operação Uruguai, o envolvimento de todos os ministros do Collor. A UNE saiu às ruas pelo Fora Collor, quando as denúncias já eram explícitas e conhecidas do público. Tanto que foram consideradas procedentes, e o presidente foi impeachado. As manifestações da UNE serviram para que os deputados não se intimidassem no dever de fazer o que se deveria fazer.

A presidente da UNE alega que o fora Collor fora legítimo. E hoje nós vemos a mesma elite que cansou do Collor, cansar do Lula e querer colocá-lo para fora à força. A diferença é que Lula emergiu das representações populares (MST, UNE, e etc…) e as mantém sobre controle através do financiamento público para as demandas desses órgãos (isso é legal?).

Outra diferença entre Lula e Collor é que, apesar de ambos serem lideranças carismáticas, Collor possui traços claros e evidentes de autoritarismo (poder tradicional), enfim, as elites não desejam um novo JK’s ou um novo Getúlio disfarçado de militar. Enquanto o governo Lula, como já afirmei, é só discurso, é só fala, desculpe-me a expressão: Mas é um cachorro que late e não morde. Apesar dos advogados de São Paulo estarem de saco cheio, (talvez as coisas estejam monótonas por lá), a verdade é que o movimento não pegou geral…

Cá entre nós, Lula é um líder inofensivo a longo prazo, não se reelege mesmo, então o conselho de Marta Suplicy cai bem nesse contexto. O Cansei está mais para coação, chantagenzinha baixa mesmo. Eu me atrevo a dizer que no inconsciente coletivo Lula ganhou a presidência justamente por cansaço; seria irônico não. Será que ele ganhou porque o povo não aguentava mais vê-lo disputar? Ganhou pela persistência, e pela força individual, diga-se de passagem, porque o PT é um partido desastrado demais para ajudar em qualquer coisa.

É irônico ver um líder no poder justamente pela fraqueza. É contraditório que um líder fraco seja desejável para exercer um estado forte, é um sofisma, é uma ilusão. Ou Lula é fruto do nosso imaginário ou ele é um camaleão que ganha as características conforme o ambiente para sobreviver nele. Eu chego a pensar que Lula é um pensamento tão forte que estará junto com o povo do cansei a reclamar do seu próprio governo e o pior: Sua atitude seria aclamada mais uma vez. Pois é, nosso presidente tem méritos, ele é capaz de convencer até os seus adversários que sua incapacidade é a sua maior competência.

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A Periferia Possui Vergonha De Si Mesma

12 de julho de 2007 às 13:48

tropa.jpgEssa é a constatação que tenho obtido no treinamento que estamos realizando aqui na Cidade de Serra/ES. Mas também diga-me a verdade, se a cena ao lado fosse comum no seu bairro, você também não teria vergonha?

Ao fazer uma divulgação bem profissional dos cursos, com mais de 5.000 panfletos, mobilizamos mais de 150 pessoas em uma palestra gratuita sobre os temas: “Como elaborar um curriculum?” e “Dicas de Entrevista”. Também nesse encontro sorteamos várias bolsas para o nosso curso. É válido ressaltar que o comércio local foi bem receptivo, e nos ofereceu muito apoio para realizar o evento, enfim, pelo menos isso.

Sim, foi uma noite de muita expectativa para nós. Mas eis que ao fazer a palestra sentimos que os ouvintes estavam impacientes após uns 30 minutos. Logo percebemos que o tema era maçante para eles. No meio da palestra alguns já se levantaram e foram embora, outros ficaram pelo interesse em ganhar uma bolsa, e acredito que uma minoria queria realmente assimilar o conteúdo exposto. Então após o sorteio ficou aquela expectativa, muita gente em volta perguntando e percebemos então que havia interesse pelo curso mas a escassez de dinheiro é muito grande por essas bandas. Sacrificamos nossos custos com o curso e decidimos dar um desconto de 50% na primeira parcela; o que nos comprometeu muito junto aos credores.

020917_pobreza301.jpgPara nossa surpresa com o tempo surgiram várias pessoas de outros bairros, e até mesmo pessoas da capital para estudar conosco. Eles viajam de ônibus cerca de duas horas para nos ouvir, e isso é muito recompensador.

Outra surpresa positiva é a presença de alguns comerciantes, que mesmo com um grau de instrução desvantajoso, têm nos ensinado muito com as suas experiências. Esses pequenos comerciantes dão de 10 a 0 na maioria dos meus colegas, acadêmicos, que vivem a puxar o saco dos seus gerentes nos estágios por aí.

Vale ressaltar isso: mesmo com a apatia que vejo dentro da universidade, aqui fora, no mundo real, percebo que as pessoas praticam de verdade o que os acadêmicos dificilmente conseguirão um dia; pois é notório a falta de coragem e ousadia destes.

O que tem sido motivo de muita tristeza para mim é o fato do nosso projeto ter ganhado poucos adeptos no bairro local. Percebemos, logo de cara, que uma mentira seria muito melhor, enfim, deveríamos ter omitido nossa origem, pois é visível a vergonha que eles possuem do seu próprio bairro. Nós fomos inocentes nesse quesito ao afirmar que somos da mesma origem. Mas enfim, nosso interesse não é dinheiro prioritariamente - ainda que ele seja muito bem vindo - ainda alentamos que os pequenos comerciantes e os profissionais que estão entre nós, cresçam muito nesses próximos meses. Tanto no conhecimento como em quebrar essa barreira preconceituosa.

Estamos tremendamente empenhados nisso, para mim é uma questão de honra que eles realizem seus sonhos. Temos para isso muitas ferramentas nas mãos. Somente minha primeira apostila - uma em três - tem cinquenta páginas e a da minha parceira mais cinquenta, enfim, é um material de conteúdo forte.

020913_favela300.jpgEsse é outro detalhe que tem sido alvo da minha preocupação por aqui. Recentemente, coloquei algumas matérias de jornal, para que fossem discutidas em sala de aula. A resistência foi grande. Percebi muita desmotivação dos nossos treinandos por praticar um ato simples: A leitura. Sim, estamos travando uma luta também contra a cultura da ignorância.

Não bastasse o preconceito que me fez distanciar da minha família, que é a idéia que o estudo prejudica quem trabalha, mesmo depois do meu distanciamento deles, tenho que superar no meu próprio trabalho esse fantasma que ronda minha vida. Eu ainda não considero esse um problema a ser evitado, como os governantes o fazem. Para mim esse não é um problema nem a ser evitado, nem a ser mascarado, mas um problema a ser superado; e estamos muito empenhado nisso.

É muito gratificante depois de algumas horas de insistência com eles… Existe uma resistência imensa a princípio. Outro dia cheguei a pegar o texto e ler para eles. Enfim é como se eu estivesse os pegando pelas mãos. E acho que eles estão percebendo minha força de vontade e alguns se esforçam e tentam efetuar as tarefas e vencer a comodidade. Eu acredito que é desse jeito que se modifica um país.

Ainda terei muitas histórias para trazer até vocês espero que tudo valha a pena, sem a necessidade de possuir uma alma medíocre para isso…rss

Enfim, termino dizendo que o meu idealismo vai morrendo aos poucos, e vou mais longe: a força de vontade, dá lugar à competência. Infelizmente os pobres vão continuar ficando para trás, tudo o que se pode fazer está sendo feito. Nesse semestre reprovei em várias disciplinas e deixei meu trabalho para trás para sonhar com um futuro melhor para meus amigos daqui, mas me vem uma pergunta à mente, a mesma pergunta que fiz quando me distanciei da igreja: Será que eles, os próprios dominados, desejam sair desse estado de dominação?

Sei, é uma discussão longa e cansativa, que inclui de Weber a Foucault, então vamos parar por aqui, porque a hora é de muito trabalho pela frente para vencer as dificuldades que coloquei nessa postagem… aos poucos vamos entender melhor essa “vergonha” que o periferia possui de si mesma.

Update>>

  • Ao procurar imagens para essa postagem conheci um site muito bacana; vale a pena visitar>> Em dia com a cidadania
  • Outras páginas interessantes>>

Elites ’sentem vergonha’ da pobreza no Brasil

As Eleições e a Globalização.

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Política Energética: Questão Estratégica

26 de fevereiro de 2007 às 12:49

Se lançarmos um olhar crítico sobre o comunicado da ONU que visa a contenção de enriquecimento de urânio no IRÃ, não poderemos deixar de perceber que há um jogo geopolítico como “background” por alí.

Os próprios jornais americanos tem enfatizado que a estratégia atual é a mesma da invasão do Iraque, quando se denunciava a produção de armas químicas, o que após quatro anos, não se comprovou.

Não podemos esquecer que os americanos invadiram o Iraque sem a permissão da ONU. Bush não tem moral para dizer ao presiente, Mahmoud Ahmadinejad, para parar de investir na produção de energia nuclear. Você se lembra que a ONU fez de tudo, mandando inspetores (ou seriam espiões) investigar o Iraque de cabo a rabo, quando na verdade, os EUA estava avaliando o potencial bélico do Iraque?

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Só quatro conseguem o Primeiro Emprego (Correio Popular - Economia - 05/2/2005)

13 de setembro de 2006 às 15:01

upa upa… não é só em Vitória que o PNPE vai mal…
processa o Correio Popular também…

Só quatro conseguem o Primeiro Emprego (Correio Popular - Economia - 05/2/2005)

Programa do governo federal que previa colocar 250 mil jovens no mercado de trabalho em todo o País naufraga em Campinas

Angela Kuhlmann
Especial para a Agência Anhangüera
angelak@rac.com.br

Ambicioso e anunciado com muito barulho e verba de marketing em novembro de 2003, o Programa Nacional do Primeiro Emprego (PNPE) do governo federal prometia criar 250 mil vagas no País para jovens entre 16 a 24 anos que pertencem a uma faixa etária na qual o desemprego é quase o dobro do que nas demais. No entanto, em um ano e três meses de vigência, o balanço demonstra um resultado pífio. Em Campinas, somente quatro jovens foram contratados e apenas 14 empresas das cerca de 41 mil instaladas na cidade se interessaram pela contrapartida oferecida pelo governo.

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Resenha do Auto-Engano

1 de setembro de 2006 às 11:07

Hê… tempos bons do univou… vou reproduzir aqui uma resenha que comecei e não acabei… espero um dia continuar… o livro é muito show…
Agradeço à Thiago Furlan pela lembrança…

O livro Auto-engano, de Eduardo Giannetti*, está me deixando intrigado. Estarei empreedendo uma resenha dele no UNIVOU_FÓRUM. Conto com a crítica dos amigos sobre esse trabalho.

Nesse semestre tenho a oportunidade de estudar com o mestre Luiz Lúcio Lorenzoni, professor de Teoria Geral de Administração, aqui da Ufes. Não perdi a oportunidade de solicitar livros que pudessem ser de grande valia em minha carreira. Me deparei com uma grande obra de Eduardo Giannetti*, sem mais delongas, trago à Comunidade UNIVOU, alguns comentários a respeito desse intrigante mundo do: Auto-Engano.

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