O pornô chegou ao Wordpress

11 de setembro de 2007 às 9:49

 

Quando cê chega com a bolsa
entupida de tutu
Eu imagino quanta gente
se deu bem no meu baú
Você me garante que não sente nada não
e que só comigo você tem satisfação
Mas é dentro de casa
Qu'eu te quero, meu amor!
Larga desse emprego, baby
Por favor!
Babilina, Babilina...(Raul Seixas)

Provavelmente o conteúdo já existia e antes era filtrado, quem sabe o filtro se inverteu e o que era para ser excluído - exclusive - tranformou-se em incluído - inclusive. Mas hoje tomei um susto quando entrei na página do BlogBlogs:

blogblogs.jpg

Olha, estou praticamente todos os dias na internet. Eu já sabia que o pornô é um dos serviços mais rentáveis e mais explorados e acessados nessa nova mídia. Mas nunca imaginei a revolução que está prestes a ocorrer.

Alias, o erotismo na internet não é novidade para o HajaLuz. Eu falei um pouco do Submundo dos Blogs por aqui. Só que existe uma pequena diferença no trabalho da Paula Lee. Eu nunca vi em seu site uma foto de sexo explícito. Percebe-se que ela possui um certo tipo de conduta, além do mais, sempre quando coloca um link para um site mais picante, faz um alerta que o conteúdo é explícito. Agora já vejo um movimento mais apelativo em que o liberalismo informativo ganha seu espaço entre os blogueiros.

Aí é que está a questão a ser colocada. Os blogueiros vivem insistindo que devem ser reconhecidos como mídia influente, ao mesmo tempo insistem que não podem sofrer regulamentação de nenhum tipo, que eles mesmos devem através de encontros informais estabelecer livremente um código de ética informal. Quando vi aquela renca de sites pornôs no BlogBlogs fiquei pensando em como é ter o meu trabalho aqui do HajaLuz ser colocado em pé de igualdade com um conteúdo que, digamos, não é dos mais queridos pelas donas de casa.

A questão não é pessoal, não interessa o site que cada um gosta. Inclusive não interessa para mim nem se existe site de pedofilia na internet ou coisa parecida. Isso é um problema para as autoridades competentes resolverem e não vai ser eu que vou trazer a solução para algo tão complexo através de postagens no HajaLuz. A questão é que eu já indiquei o BlogBlogs para a Gislene, Consultora de Marketing, e minha parceira nos negócios, como uma referência bacana para buscar informações e fazer network. Eu fico imaginando se ela se empolga hoje e abre o BlogBlogs para fazer o mesmo com alguém que nunca ouviu falar sobre Blog, ou pior, se for um cliente, empresário, que estamos tentando vender uma consultoria e indicar como é interessante a empresa dele utilizar essas ferramentas. Então se essa pessoa já tem uma visão estereotipada sobre a internet aí é que ela nunca mais vai querer utilizar nossos serviços; porque certamente irá pensar que participamos disso.

É evidente que a sociedade é hipócrita, que esse mesmo empresário pode todos os dias estar saindo com uma puta, ou com a sua secretária, mas e daí? Não podemos confundir a esfera individual com a pública. Esse talvez seja o grande discernimento que falta aos blogueiros, uma coisa é um blog com pseudônimo ou um personagem fictício, ou um editor quase anônimo - como é o meu caso..rsss, outra coisa é colocar a marca da empresa em uma logo e inseri-la no universo das redes sociais.

Atualmente o Ministério Público está pegando pesado com o Orkut, e eles estão comemorando um convênio com o Google, até porque uma empresa brasileira vai se responsabilizar pelo conteúdo do Orkut - é isso mesmo, uma empresa brasileira vai ser laranja oficial do google por aqui.

Mas o pior já vem, e virá em forma de Wordpress, pois é o sistema mais fácil de trabalhar. E logo haverá hospedagens configurando templates pornôs - essa dica é de graça, mas tem muito mais de onde veio. E oferecendo todo o suporte necessário para que os leigos migrem suas comunidades do Orkut, para servidores que nem o capeta vai encontrar para bloquear o conteúdo.

Para mim pessoalmente não fará muita diferença se o BlogBlogs vai conseguir normalizar os filtros.

Principalmente com a repressão dos Ministérios Públicos, sistemas como o Wordpress serão cada vez mais utilizados. Fora que eu mesmo estou treinando clientes e pessoas aqui do bairro para gerenciar conteúdo através de Sistemas como esse.

Em um curso mesmo que eu fui contratado eles me perguntaram sobre HTML. Eu fui taxativo: Não é necessário ensinar HTML, não precisa mesmo, a internet hoje é dinâmica e o HTML é gerado no navegador. Se alguém quer aprender a construir páginas de verdade vá para os dois extremos: Foque em programação e deixe o conteúdo para alguém que sabe escrever ou faça o oposto: escreva e deixe a otimização para alguém que gosta de JavaScript e PHP;

Existe a terceira opção híbrida que é desastrosa gente que não sabe nem uma coisa e nem outra e diz que conhece as duas, é justamente esse pessoal que está partindo com força do Orkut para o Wordpress. Mas existem também soluções como a que aplico no BlogMestre chamo as duas especialidade e peço para que ambos troquem experiências, isso é muito bom!!! e se os caras do Pornô fizerem isso? Será bom ou ruim?? rsss…

É isso o que ocorre quando os homens da terra real, brincam com o mundo da virtualidade. Citarei meu professor de produção, que por sinal me reprovou:

Quando um gargalo fecha abre outro, então antes de comemorar o falso suprimento de uma demanda passe a se preocupar para onde vai o seu excedente, e o gargalo não vai parar enquanto não houver um equilíbrio entre oferta e procura.

Só uma pergunta professor: Para onde vai o gargalo quando falamos da sexualidade humana, tão reprimida?

Babilina, sai desse bordel minha filha!!!!

Professor você me reprovou, mas HajaLuz para você também…

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Alugo o Meu Corpo e a descoberta de Portugal

8 de agosto de 2007 às 9:52

A exploração de Portugal através de Paula Lee contraria o que aprendemos na escola sobre os nossos dominadores.

Uma brasileira decide fazer do seu destino uma história repleta de superações. Ela poderia ser mais uma telefonista ou até mesmo uma eficiente executiva. Contudo preferiu deixar para trás a confusa rede de valores das nossas organizações, em troca de uma aventura em solo lusitano: Tornar-se prostituta.

Lá, depois de muitas idas e vindas, ela conquista a atenção da respeitável editora Dom Quixote com sua autobiografia.

Paula nasce de um movimento relegado pela mídia convencional: a mudança dos blogs de simples diários pessoais para uma poderosa ferramenta de divulgação profissional. Através do seu espaço: Amante Profissional, ela conseguiu uma das maiores audiências da internet em língua portuguesa. Nesse caso, o público teve a oportunidade de conhecer o estilo da autora, e saber o que poderia estar reservado para uma reflexão mais aprofundada.

Ao mesmo tempo em que a internet gera essa expectativa, esse mesmo fato poderia despertar o receio de editores e leitores com relação ao seu livro. Afinal qual novidade surgiria de uma pessoa que escreve compulsivamente em seu blog?

Zás, mais um ponto para a moça! O livro trata de uma fase pré-portugal e da sua iniciação no mundo da prostituição através de uma rota que escancara as mazelas do nosso desigual país.

E a pergunta que não cala é: Porque uma candidata a executiva trocaria sua promissora carreira por uma casa de prostituição europeia?

Nós que desejamos um país melhor, e lutamos todos os dias para que isso ocorra, sabemos o que é viver na corda bamba. Sabemos o custo que é negar subornos, propinas, e outras formas de ganho ilícito; o conhecido roubo disfarçado de “jeitinho”. Nós vivemos na fronteira entre o ético e o imoral, e todos os dias temos que revisitar nosso conceito de honestidade. O livro de Paula trata disso de uma maneira leve e às vezes até ingênua…

Alugo o Meu Corpo é um desafio para rever conceitos, pois foi diante dessas descobertas, diante de ambientes profissionais tão conturbados que nossa autora decidiu pela pragmática do mercado, pela lógica capitalista que nos coloca diante da “prostituição” pela nossa força de trabalho. Ora se ela percebeu a utilização do corpo, dentro das organizações formais (empresas) como fator de ganho profissional, porque seria indecente, fazê-lo da forma mais sincera e clara nos bordéis? Essa lógica é perturbadora, mas é a que presenciamos todos os dias em nossas lindas empresas, não é verdade?

O livro nos coloca um passo a frente do senso comum quando descreve o trabalho dentro de uma casa de prostituição. Talvez o “espetáculo” seja tão hipnótico que os frequentadores não consideram o caráter formal e burocrático que há nessas organizações. Talvez as músicas, as luzes, e os ingredientes que os estimulam, consigam inibir a percepção de uma estrutura com culturas e leis próprias; com direito a hierarquias, divisão de tarefas, aspectos motivacionais, progressões e quedas de produtividade, e o abrigo de trabalhadores das mais diversas esferas: Autônomos, assalariados, comissionados, e até mesmo escravos. No livro, essa indústria secular é despida de toda a sua informalidade, e caso nossa sociedade não incorresse em tanta hipocrisia, seria apenas o diário de uma escritora que se fez prostituta para pesquisar mais uma profissão. Como trata-se de uma autobiografia, Paula Lee nos comunica que continuará alugando seu corpo para os clientes; para quem ler sua obra ficará uma convicção: A humanidade dessa Mulher Brasileira não pode ser comercializada por preço algum…

Obs.: Infelizmente o livro não está ainda a venda no Brasil. Em Portugal está sendo muito bem distribuído, e pode ser encontrado até mesmo em bibliotecas públicas. Você pode encontrar maiores informações na Página do Livro.

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