Desafio Oi: Você tem que me amar

2 de julho de 2008 às 0:44

Tá, hoje eu tentei o dia todo estornar uma cobrança indevida de minha conta de telefone.

Eu falei com robô e tive que ouvir um jabá por mais de meia hora. Esse jabá fala sobre uma convergência de serviços, que no fundo é venda casada.

Eita!

Todo dia eu vejo matérias no jornal que dizem o quanto a justiça, o PROCOM, e a ANATEL agem em favor do consumidor contra os oligopólios da comunicação.

Mas já que agora essas empresas processam quem fala mal delas na internet eu quero mesmo é saber quem vai ser o primeiro a falar que ama a Oi nos comentários.

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Liberdade de expressão: Justiça lenta ou cidadão afobado?

18 de junho de 2008 às 5:46

Tenho o privilégio de assistir televisão em espaços longos de tempo. Isso me dá uma clara percepção das mudanças de modelos e formatos de exibição, tanto de programas como de campanhas publicitárias, entre um mês e outro.

E é incrível a forma como essas mudanças se consolidam.

Um bom exemplo é o caso da propaganda de cerveja que até pouco tempo estava repleta de erotismo e jovialidade. Atualmente seu conteúdo volta-se para a “família”, e chega ao ponto de estimular o consumo em casa através da “doação” de freezeres.

A existência da internet ampliou uma discussão secular sobre liberdade de expressão. E nos últimos dias essa discussão chegou ao nosso parlamento através da CPI da pedofilia. Inclusive em suas sessões compareceram representantes de empresas da internet. Corporações do quilate de Google, UOL entre outras.

Nossas autoridades querem entender essa loucura que toma a atenção de toda sociedade. Elas sentem-se impactadas por um veículo de comunicação incontrolável(?), que gera mudanças de comportamento, mudanças de profissões, mudanças na relação entre empresas e clientes, e mudanças até no relacionamento entre marido e mulher, entre pais e filhos e por aí vai.

Cito dois casos que refletem o que digo:

Fernando Gabeira lançado para Prefeito do Rio no Blog do Pedro Dória

Houve um enorme alvoroço (veja aqui por exemplo) em torno do tema. Inclusive há confusão sobre como nomear a atividade de quem escreve na internet: É jornalista? repórter? blogueiro profissional? escritor? comunicador? webwriter?

Agora veja: se nem os próprios condutores de conteúdo na internet conseguem se entender e classificar o que fazem, quem dirá órgãos externos como a polícia e a justiça. Nenhum delegado ou juiz tem obrigação de entender minúcias da informática, por exemplo, se o Wordpress é uma plataforma A, B ou C; se o Firefox vem com abas ou não; se o Orkut é mais brasileiro do que o MySpace.

Para quem trabalha na área esses assuntos podem ser mais claros do que água, mas para quem é de fora a compreensão exige um esforço imenso.

No exterior existem várias associações que se formam ao redor de cada nova atividade comercial na internet. É o caso dos próprios blogueiros americanos e outro que acompanho de perto, o pessoal que trabalha com medições na internet: Web Analytics Association (veja uma matéria sobre esse mercado).

Essas associações tem um papel muito relevante de diálogo junto à sociedade. Elas fazem aquilo que o indivíduo tenho dificuldade. Se um membro for acusado, elas podem contratar profissionais especializados em defender sua área, enfim, os benefícios são muitos.

Se eu perguntar a qualquer profissional brasileiro em uma entrevista de emprego sobre a sua capacidade de trabalhar em grupo, ele não irá demorar por responder que é fera nisso. Mas onde estão os grupos que atuam em nome dos profissionais de internet?

Muitos reclamam da morosidade da justiça. Talvez pela velocidade com que acessam seus dados na web, gostariam de ter suas queixas julgadas ao mesmo gosto. Como se a justiça existisse para atender demandas individuais e personalizadas. Nem de longe esse é o caso. A justiça existe para defender toda a sociedade. E é um princípio judicial básico, conhecido até por leigos como eu, que toda acusação deve ser seguida por um direito amplo de defesa. Eu gosto muito desse princípio, e todos que gostam da tal liberdade de expressão também deveriam estimá-lo, afinal, acusar é muito fácil, mas os efeitos da nossa acusação podem ser devastadores.

Você é capaz de mensurar as consequências que uma palavra mal interpretada, publicada no seu site, pode levar à vida de pessoas e organizações?

Para que você me entenda melhor vou lançar uma luz nesse raciocício.

Falo sobre o texto publicado em um “manual de sobrevivência”; esse é o conceito do site.

Em seu conteúdo surge uma matéria que expõe uma empresa: Rancho da Traíra - preço salgado e comida sem sal; e o mais interessante ainda é a defesa que se segue pela própria empresa.

Alguém irá festejar o campo de batalha textual. Dirá que finalmente atingimos o auge da democracia e do espaço igualitário de comunicação. Porém lembro-me de um velho ditado que “a palavra dita não pode mais ser recuperada“…

Reparação por danos morais? Será que esse é o caminho ideal para terminar um jantar? Ao ser mal atendido em algum estabelecimento devo sacar minha carteira de blogueiro e ameaçar como se fosse um jurássico jornalista que os blogueiros tanto ironizam?

Imagine um cenário em que a justiça cível terá que resolver cada insatisfação com um produto consumido. Cada querela de balcão. Nesse caso a internet está mais para esgoto das nossas insatisfações.

A mesma tecnologia que agiliza o nosso tempo é a que nos dispersa com suas futilidades!

Minha sina é bater na tecla da responsabilidade individual. Talvez a ação mais medíocre do homem, desde a revolução industrial, é transferir para as máquinas a sua incapacidade de lidar com o outro.

A questão da liberdade de expressão não se restringe a declarar afeição por determinado candidato político, ou falar mal de uma empresa que presta um mal serviço.

Utilizar o poder da comunicação para atalhar os trâmites e as leis que estão à nossa disposição nos classifica como qualquer tirano a quem criticamos. Essa prática é uma demonstração clara, que com poder nas mãos, utilizamos de qualquer meio de imposição da nossa vontade, portanto, a linha entre liberdade e ditadura torna-se tênue quando não há responsabilidade pelas próprias ações.

É irônico que os maiores defensores da liberdade de expressão incorram no mesmo erro de antigos revolucionários; a guilhotina agora é digital…

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A Vale não plagiou a logo da Vitelli

13 de dezembro de 2007 às 6:19

É evidente que qualquer profissional que se preze sabe disso!

Apesar da notável semelhança:

Obs.: as marcas não possuem espelhamento.

 

A declaração do INPI é esclarecedora:

Entretanto, em entrevista na terça-feira (4), a diretora de comunicação da Vale, Olinta Cardoso, disse que as duas marcas não podem ser consideradas iguais. Ela garante, por exemplo, que a fonte usada para escrever o nome Vale na nova marca da empresa foi criada especialmente para a empresa.

Segundo a diretora, as semelhanças não vão acarretar qualquer problema para a empresa, uma vez que o INPI apenas proíbe que marcas semelhantes sejam usadas somente no mesmo setor. Olinta afirma que existem inclusive outras empresas com o nome Vale no mundo. “Nem o logo nem o nome são exclusividade nossa. Ninguém vai confundir as duas empresas”, diz.

Legislação

A assessoria de imprensa do INPI informou ao G1 que, ainda que as marcas fossem idênticas, a legislação permite que duas empresas tenham a mesma identidade visual. “Não existe sequer afinidade entre os dois ramos (mineração, da Vale, e calçados, da Vitelli)”, afirmou a assessoria.

Mas não é só por isso, eu acredito que não houve plágio pelo próprio processo de criação. O trabalho em internet, principalmente, aflorou uma discussão sobre direitos de propriedade. Essa discussão se deriva da facilidade em criar identidades visuais para tudo o que se imagina. E boas identidades, diga-se de passagem. Essa discussão gera outros desdobramentos como a remuneração por exemplo. Em quanto um profissional (ou emrpesa) criador de uma marca como a da Vale deveria ser recompensado?

A característica mais forte do nosso trabalho é a potencialidade. Explico!

Todos os dias lemos centenas de informações; fazemos assinaturas em nosso RSS, colocamos links interessantes em nosso delicious; publicamos artigos em nossos espaços, nossa comunidades, e etc… E aí surge um cliente que solicita um serviço específico. Esse serviço será elaborado com notável agilidade e rapidez, dado o conhecimento agregado que temos por nossa prática diária. Logo, se o cliente acompanhar nosso processo de criação irá achar caro o que fazemos. Da mesma forma que muitos não entendem porque um jogador de futebol que está mais para foca, possa ganhar tanto dinheiro.

Na verdade podemos pedir muito pelo nosso conhecimento potencial.

DE VOLTA AO CASO DA VALE

Nos primeiros dias do lançamento alguns levantaram a possibilidade do plágio em relação às cores do Banco Real, bom pelo menos essa comparação se dá entre duas grandes corporações.

O Braisntorm9 fala sobre a visão do Gestor da Vale, Roger Agnelli, sobre a logo:

Roger Agnelli, presidente da mineradora, disse sobre a nova marca: “Em qualquer lugar do mundo, a pronuncia Vale é fácil. Vale significa valor. É um nome curto e de fácil fixação. O logo, eu vejo um coração, porque adoro essas coisas de emoção. Pode ser um simbolo de infinito. Ao mesmo tempo, é um símbolo de vale e de uma mineração a céu aberto já em seu plano final. Se colocar de cabeça para baixo, parece o triângulo de Minas Gerais.”

Um dos seus leitores apontaram a semelhança entre a logo e as cores do Banco Real:

O leitor Vinícius Theodoro, que enviou a notícia, chamou atenção para a similaridade da nova identidade da Vale com o logo do Banco Real, incluindo cores e tipologia. Já eu, chamo atenção para a bela viajada de Roger Agnelli na explicação/justificativa da marca.

No caso da Vitelli, francamente, não conheço muito sobre a empresa. Mas convenhamos somente na promoção da marca a Vale irá gastar US$ 5o milhões. E a pergunta que não cala: Porque cargas d’agua a vale iria gastar tanto dinheiro a partir de uma cópia da empresa de calçados. E enfim: Quanto vale essa empresa de calçados?

Outra questão que é bem óbvia: Se a Vale de fato desejasse copiar a marca da Vitalli, não a teria comprado antes?

DO PONTO DE VISTA TÉCNICO

 

A matéria da G1 esclarece que a tipografia foi criada, ou seja as fontes são originais. O cone cortado não seria muito difícil de elaborar em um Corel da vida, não é verdade?

O verde cromado lembra o produto da empresa, enfim, foi um trabalho dentro das novas tendências: Um trabalho simples e objetivo; eu diria um trabalho limpo, principalmente se comparado ao posterior. A nova marca da Vale é um reflexo de novas tendências na indústria da comunicação, assim como a empresa transfou-se ao longo desse tempo, os profissionais com os profissionais de design e publicidade ocorreu o mesmo.

 

A discussão sobre plagio sempre ocorrerá em trabalhos dessa monta. No plano jurídico sabemos que a Vitelli ganha muita geração de propaganda espontânea.

 

Independente da decisão judicial a Vitelli já ganhou, não é mesmo?

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