Como países podem utilizar a internet para divulgar suas ações

17 de agosto de 2008 às 12:41

Se eleito for Obama promete abrir informações sigilosas sobre licitações

Foi o que lí na ótima matéria de Miriam Leitão: Ética de Obama.

Eu não me canso de afirmar que democracia não é voto. E que nós focamos muito em ações pontuais e nos esquecemos de viver o cotidiano. Um banco de dados disponibilizado na rede, para ser acompanhado diariamente por cidadãos e entidades como uma Agência de Fiscalização sobre ações políticas. Eu torço muito por Obama, mas suas promessas são tão perfeitas que nos deixam com aquela dúvida: Tudo é bom demais para ser verdade.

Governo da Georgia utiliza Blogspot para divulgar resistência à Russia

A matéria do Guia do Notebook: Guerra eletrônica: Rússia versus Geórgia, demonstra a estratégia utilizada pelo governo da Georgia para combater ataques aos servidores onde estão localizados seus endereços institucionais.

A ferramenta utilizada para combater a guerra eletrônica é um blog hospedado no Blogspot: Ministry of Foreign Affairs of Georgia.

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Desafio Oi: Você tem que me amar

2 de julho de 2008 às 0:44

Tá, hoje eu tentei o dia todo estornar uma cobrança indevida de minha conta de telefone.

Eu falei com robô e tive que ouvir um jabá por mais de meia hora. Esse jabá fala sobre uma convergência de serviços, que no fundo é venda casada.

Eita!

Todo dia eu vejo matérias no jornal que dizem o quanto a justiça, o PROCOM, e a ANATEL agem em favor do consumidor contra os oligopólios da comunicação.

Mas já que agora essas empresas processam quem fala mal delas na internet eu quero mesmo é saber quem vai ser o primeiro a falar que ama a Oi nos comentários.

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Cuidado com o “masterpageano”

30 de junho de 2008 às 21:30

Volto de ônibus da instituição em que trabalho como instrutor de Administração e ouço o seguinte “diálogo” ao celular:

- A resposta para a sua pergunta é sim. É fácil eu fazer isso que você quer.

Um sinal de alerta acendeu em minha memória. Lembrei-me da compra de um 586 - você conhece isso? - com um HD de 4Gb. O vendedor usava umas expressões parecidas para me explicar que eu poderia fazer miséria com aquela máquina.

O eloquente rapaz continua:

- Você quer que eu alinhe seu layout? Que eu coloque os botões de baixo para cima? Isso é muito simples. Amanhã será a primeira coisa que farei ao chegar ao escritório.

Vibrei! Puxa finalmente vou conhecer um profissional de internet em carne e osso, morador da minha querida Vitória!

- Os padrões? É lógico! a “masterpage” cuida disso! Não precisa mudar o projeto todo não! O negócio é em “dotnet” e asp.

Caramba! Eu leio umas cinco horas diárias sobre desenvolvimento web e não conheço nada do que o rapaz disse, caramba, o cara está a frente do nosso tempo. Mas algo me alerta, não só pelo sotaque carioca, que é muito comum por aqui, quando um capixaba é iludido pela conversa de um ser mais evoluído.

Mas o alerta é sobretudo pela utilização de termos técnicos. Raramente alguém da nossa área fala palavras em inglês ou informatiquês, sem a intenção de ganhar mais um pato…

Eu chego em casa e ligo a máquina apressado para saber que diabos de “masterpage” é essa. Sera um revolucionário ERP, pensei até que seria algum framework ou coisa parecida. E eis que me deparo com um esdrúxulo troço parecido com o tal de frontpage que me dá tristeza em saber que uma coisa dessas existe.

E o pior de tudo é que o cara falava alto para o ônibus inteiro ouvir.

E a pergunta que não me deixará dormir bem essa noite: Quanto será que ele cobrou do pobre coitado do cliente?

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Firefox 3, ainda sobre afobação.

19 de junho de 2008 às 7:58

Uma das grandes dúvidas sobre a geração dos anos 90 é se ela teria paciência quando chegassem à idade produtiva. Essa dúvida surge pelo uso crescente de tecnologia para qualquer atividade dessa geração.

A tecnologia acelera o desempenho das tarefas profissionais, das ações de entretenimento, e qualquer outra tarefa que você pensar agora, não é verdade?

Tudo fica do jeito que nós queremos na hora que queremos.

Viramos crianças impulsivas em frente as nossas telas.

As mesmas considerações feitas na postagem que fala sobre a morosidade da justiça faço agora sobre esse Download Day. Eu também não gostei de acessar 14:00 e ver o servidor deles sem resposta. E só consegui baixar o aplicativo às 17:00.

Houve quem criticasse de maneira veemente essa demora.

Será que os críticos participaram de alguma maneira no desenvolvimento do produto que ele recebe gratuitamente?

Nos últimos dias tenho falado sobre qualidade com a garotada, e dou como exemplo uma camisa que foi doada e tem o seu manequim que não dá certo em ninguém. Aquele produto foi feito de qualquer maneira, já que seria doado, mas mesmo sem pagar nada por ele o recebedor torna-se um ágil reclamante.

Com o Firefox o processo é um pouco diferente. A qualidade do produto é excelente. Ele é considerado por qualquer profissional de internet, um dos softwares mais úteis para o desempenho do seu trabalho. Mas somente por um lançamento atrasar algumas horas, as pessoas são acometidas de verdadeiros chiliques virtuais.

Uma das minhas alunas reclamou que sou devagar. Sua declaração comparada ao desafio que assumi na vida é injusta.

Eu ouvi certa vez, após a apresentação de um trabalho de faculdade, de uma doutora em administração que eu quebraria paradigmas.

Engraçado isso, para uma doutora sou um revolucionário, para uma adolescente da geração 90 sou um “paradão”.

Meus textos alcançam diariamente, no mínimo, umas 150 pessoas. É normal nos blogues 20.000 visitações diárias. As vezes abro as estatísticas e fico um pouco decepcionado. Gostaria de ver lá o número mágico de 20.000. Mas ao mesmo tempo como poderia desprezar a audiência de 150/dia. Não é raro eu receber e-mail’s de empresários e pessoas influentes pelo Brasil a fora.

Se eu fizer um tutorial sobre como burlar um proxy que bloqueia MSN, ou sobre como alterar um perfil do orkut alheio, esses 20.000/dia viria rápido, mas afinal, quem é o público que se interessa por esse tipo de prática na internet? Vale a pena investir tempo nele?

Ou vale mais a pena investir no público que poderia investir em um projeto que desenvolvo; ou que poderia me convidar para trabalhar em uma agência de internet em um grande centro?

Esse dilema é o mesmo que enfrento diante da minha aluna adolescente e da minha professora doutora.

Para quem vale a pena concentrar esforços?

Na verdade, não desprezo nem um público nem outro. Com relação àqueles que me consideram a frente do meu tempo devo colocar os pés no chão. Por outro lado, diante daqueles que me consideram antigo e lento devo buscar a  agilidade, rapidez e ousadia que me solicitam.

Não posso desprezar minha própria definição sobre o que é gerir:

Administração é encontrar um ponto de equilíbrio entre as expectativas das organizações e das pessoas que compõem essas organizações.

É claro que a velocidade da tecnologia é um truque. Não há nada de novo sob o sol. Vivemos repetições do que nossos avós faziam. Somente mudamos as ferramentas, e a escala de consumo, mas as aspirações dos homens continuam as mesmas. O homem atual possui os mesmos defeitos e qualidades de outrora.

O índice de violência? O índice de educação? O índice da fome? O índice dos PIB’s? O IDH?

Tudo muda de maneira proporcional. As mudanças são relativas. As mudanças ocorrem de maneira prevista dentro de um determinado contexto. Elas obedecem a ciclos.

É aí que entra a figura do gestor. Ele é capaz de sistematizar e prever para onde vai o rumo dos ventos.

Assim como faz um pescador que observa as mudanças do clima de acordo com o ciclo da lua.

Eu e minha mania de filosofia…

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Liberdade de expressão: Justiça lenta ou cidadão afobado?

18 de junho de 2008 às 5:46

Tenho o privilégio de assistir televisão em espaços longos de tempo. Isso me dá uma clara percepção das mudanças de modelos e formatos de exibição, tanto de programas como de campanhas publicitárias, entre um mês e outro.

E é incrível a forma como essas mudanças se consolidam.

Um bom exemplo é o caso da propaganda de cerveja que até pouco tempo estava repleta de erotismo e jovialidade. Atualmente seu conteúdo volta-se para a “família”, e chega ao ponto de estimular o consumo em casa através da “doação” de freezeres.

A existência da internet ampliou uma discussão secular sobre liberdade de expressão. E nos últimos dias essa discussão chegou ao nosso parlamento através da CPI da pedofilia. Inclusive em suas sessões compareceram representantes de empresas da internet. Corporações do quilate de Google, UOL entre outras.

Nossas autoridades querem entender essa loucura que toma a atenção de toda sociedade. Elas sentem-se impactadas por um veículo de comunicação incontrolável(?), que gera mudanças de comportamento, mudanças de profissões, mudanças na relação entre empresas e clientes, e mudanças até no relacionamento entre marido e mulher, entre pais e filhos e por aí vai.

Cito dois casos que refletem o que digo:

Fernando Gabeira lançado para Prefeito do Rio no Blog do Pedro Dória

Houve um enorme alvoroço (veja aqui por exemplo) em torno do tema. Inclusive há confusão sobre como nomear a atividade de quem escreve na internet: É jornalista? repórter? blogueiro profissional? escritor? comunicador? webwriter?

Agora veja: se nem os próprios condutores de conteúdo na internet conseguem se entender e classificar o que fazem, quem dirá órgãos externos como a polícia e a justiça. Nenhum delegado ou juiz tem obrigação de entender minúcias da informática, por exemplo, se o Wordpress é uma plataforma A, B ou C; se o Firefox vem com abas ou não; se o Orkut é mais brasileiro do que o MySpace.

Para quem trabalha na área esses assuntos podem ser mais claros do que água, mas para quem é de fora a compreensão exige um esforço imenso.

No exterior existem várias associações que se formam ao redor de cada nova atividade comercial na internet. É o caso dos próprios blogueiros americanos e outro que acompanho de perto, o pessoal que trabalha com medições na internet: Web Analytics Association (veja uma matéria sobre esse mercado).

Essas associações tem um papel muito relevante de diálogo junto à sociedade. Elas fazem aquilo que o indivíduo tenho dificuldade. Se um membro for acusado, elas podem contratar profissionais especializados em defender sua área, enfim, os benefícios são muitos.

Se eu perguntar a qualquer profissional brasileiro em uma entrevista de emprego sobre a sua capacidade de trabalhar em grupo, ele não irá demorar por responder que é fera nisso. Mas onde estão os grupos que atuam em nome dos profissionais de internet?

Muitos reclamam da morosidade da justiça. Talvez pela velocidade com que acessam seus dados na web, gostariam de ter suas queixas julgadas ao mesmo gosto. Como se a justiça existisse para atender demandas individuais e personalizadas. Nem de longe esse é o caso. A justiça existe para defender toda a sociedade. E é um princípio judicial básico, conhecido até por leigos como eu, que toda acusação deve ser seguida por um direito amplo de defesa. Eu gosto muito desse princípio, e todos que gostam da tal liberdade de expressão também deveriam estimá-lo, afinal, acusar é muito fácil, mas os efeitos da nossa acusação podem ser devastadores.

Você é capaz de mensurar as consequências que uma palavra mal interpretada, publicada no seu site, pode levar à vida de pessoas e organizações?

Para que você me entenda melhor vou lançar uma luz nesse raciocício.

Falo sobre o texto publicado em um “manual de sobrevivência”; esse é o conceito do site.

Em seu conteúdo surge uma matéria que expõe uma empresa: Rancho da Traíra - preço salgado e comida sem sal; e o mais interessante ainda é a defesa que se segue pela própria empresa.

Alguém irá festejar o campo de batalha textual. Dirá que finalmente atingimos o auge da democracia e do espaço igualitário de comunicação. Porém lembro-me de um velho ditado que “a palavra dita não pode mais ser recuperada“…

Reparação por danos morais? Será que esse é o caminho ideal para terminar um jantar? Ao ser mal atendido em algum estabelecimento devo sacar minha carteira de blogueiro e ameaçar como se fosse um jurássico jornalista que os blogueiros tanto ironizam?

Imagine um cenário em que a justiça cível terá que resolver cada insatisfação com um produto consumido. Cada querela de balcão. Nesse caso a internet está mais para esgoto das nossas insatisfações.

A mesma tecnologia que agiliza o nosso tempo é a que nos dispersa com suas futilidades!

Minha sina é bater na tecla da responsabilidade individual. Talvez a ação mais medíocre do homem, desde a revolução industrial, é transferir para as máquinas a sua incapacidade de lidar com o outro.

A questão da liberdade de expressão não se restringe a declarar afeição por determinado candidato político, ou falar mal de uma empresa que presta um mal serviço.

Utilizar o poder da comunicação para atalhar os trâmites e as leis que estão à nossa disposição nos classifica como qualquer tirano a quem criticamos. Essa prática é uma demonstração clara, que com poder nas mãos, utilizamos de qualquer meio de imposição da nossa vontade, portanto, a linha entre liberdade e ditadura torna-se tênue quando não há responsabilidade pelas próprias ações.

É irônico que os maiores defensores da liberdade de expressão incorram no mesmo erro de antigos revolucionários; a guilhotina agora é digital…

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