Hoje ocorreu algo muito engraçado, mas ao mesmo tempo foi um momento de tensão.
Devo afirmar que a tensão veio mais depois do ocorrido, do que propriamente pelo fato.
É que fechei uma consultoria que se transformou em terceirazação. Eu atendo os clientes do meu cliente, e faço tudo enfim, tudo o que se faz dentro de um escritório. Eu e Gislene assumimos toda a parte administrativa dessa empresa.
Ocorre que alguns policiais militares na região estão interessados nos serviços do meu cliente. Então por esses dias é comum parar viaturas de polícia e subir homens fardados por aqui. Mas no meu bairro também é comum sumir gente quando é convidada a entrar em carros para dar “passeio”. Isso tem ocorrido muito nos últimos dias. Temos muitas mães chorosas pelo bairro.
Bom, o carro da polícia parou em frente e os vizinhos, segundo depois fui informado, já ficaram curiosos. Ao ouvir um barulho fui em direção à porta e recebi o policial como receberia qualquer outro cliente. O cumprimenteio e esclareci todas as suas dúvidas, mesmo que o sujeito correspondia a todas os esteriótipos de um polícia, com direito a ser mal educado, enxerido, perguntar tudo sobre a nossa vida, e etc… enfim fui um exemplo de profissional..rss
Mas o detalhe é que logo após desci para almoçar e fui seriamente advertido pela minha mãe que eu deveria abandonar a consultoria, pois estava mexendo com coisa errada. O que a polícia estava a fazer em nossa “casa”? Eu realmente me assustei!! E também confesso que senti um pouco de pavor diante de tanta especulação da minha mãe, senti mesmo que o perigo estava perto, e pensei em dar no pinote.
Mas cinco minutos depois parei um pouco e racionalizei. Puxa vida, pelo que me consta estou a trabalho, a empresa pela qual trabalho paga seus impostos, cumpre com suas obrigações. Tenho inclusive um contrato formal de consultoria, porque mesmo que me chamassem para prestar algum depoimento ou coisa parecida deveria ter medo? Na verdade não deveria eu como cidadão estar interessado em ver a polícia cumprir com suas obrigações ao invés de sentir-me ameaçado por ela.
A sensação que tenho hoje é que os dias são os piores possíveis. Confesso que na minha infância, talvez pelo militarismo em voga, a polícia era para mim sinônimo de herói. Na adolescência, aprendi a distanciar-me tanto dela quanto das más companhias. E hoje, que estou um homem maduro, quase formado em administração, a trabalhar e estruturar micro-empresas e colaborar para o crescimento da minha nação.
Fico triste em sentir pavor ao dobrar ou não as esquinas dessa vida… resta-me trabalhar por melhores dias para todos nós…
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