Uma cauda longa aqui mesmo no HajaLuz e um dia de fama no Orkut

31 de agosto de 2008 às 22:19

O caso

Fui surpreendido por uma visitação nunca vista aqui antes que ocorreu nessa postagem: Pérolas do Enem comentadas.

A despeito da realização do Enem por esses dias. Quando publiquei, em 06 de Junho, não pensava nem na avaliação de maneira específica. É que eu fiz o texto mais para brincar e distrair meus alunos de administração.

É bem verdade que fui agraciado por um membro de uma comunidade do Orkut que gostou do texto e gerou um buzz espontâneo. Não é a primeira vez que isso ocorre com o que escrevo. É uma sensação muito bacana, mesmo que essa postagem não seja um texto lá dos mais engenhosos.

Sempre tive um pensamento sobre audiência na Web. Um dos grandes fatores para obter audiência é publicar o que as pessoas falam em seu cotidiano. Publicar não os assuntos que estão em alta na internet, mas fora dela. Eu acredito que o interesse na internet surge depois do interesse entre amigos; essa é uma boa meta para atingir uma cauda longa.

Originalidade ou criatividade?

Os dois posts que renderam mais visitas ao HajaLuz são citações de outros sites, com alguns comentários inclusos. Os dois são o Dual Boot com windows xp e ubuntu e o já citado texto do Enem o qual nas próximas horas será o primeiro em visitação no site.

Temos que ser francos e dar mão à palmatória. A internet é um mecanismo de redundância de informações. Eu não me enconto com a idéia do original. Fico curioso com essa briga sobre direitos de propriedade intelectual. É evidente que nos dois textos eu citei as fontes e fiz complementos com as minhas idéias. Não houve cópia descarada, mas houve um desdobramento do assunto, é por aí webwriter: você é um desdobrador de idéias e não um gênio, vai se acostumando com a idéia.

E a consultoria: ó!

Trabalhar com esse tipo de análise é um futuro profissional no meu trabalho. Descobri que tão importante quanto editar uma imagem no photoshop ou editar um .html ou .css, é saber observar o valor de sentenças e referenciá-las a contento nos mecanismos de busca; é o que os gênios chamam de SEO.

Melhor que saber sobre isso, é você aplicar esse conhecimento no seu projeto de web, me contate, vamos conversar sobre isso ; )

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Liberdade de expressão: Justiça lenta ou cidadão afobado?

18 de junho de 2008 às 5:46

Tenho o privilégio de assistir televisão em espaços longos de tempo. Isso me dá uma clara percepção das mudanças de modelos e formatos de exibição, tanto de programas como de campanhas publicitárias, entre um mês e outro.

E é incrível a forma como essas mudanças se consolidam.

Um bom exemplo é o caso da propaganda de cerveja que até pouco tempo estava repleta de erotismo e jovialidade. Atualmente seu conteúdo volta-se para a “família”, e chega ao ponto de estimular o consumo em casa através da “doação” de freezeres.

A existência da internet ampliou uma discussão secular sobre liberdade de expressão. E nos últimos dias essa discussão chegou ao nosso parlamento através da CPI da pedofilia. Inclusive em suas sessões compareceram representantes de empresas da internet. Corporações do quilate de Google, UOL entre outras.

Nossas autoridades querem entender essa loucura que toma a atenção de toda sociedade. Elas sentem-se impactadas por um veículo de comunicação incontrolável(?), que gera mudanças de comportamento, mudanças de profissões, mudanças na relação entre empresas e clientes, e mudanças até no relacionamento entre marido e mulher, entre pais e filhos e por aí vai.

Cito dois casos que refletem o que digo:

Fernando Gabeira lançado para Prefeito do Rio no Blog do Pedro Dória

Houve um enorme alvoroço (veja aqui por exemplo) em torno do tema. Inclusive há confusão sobre como nomear a atividade de quem escreve na internet: É jornalista? repórter? blogueiro profissional? escritor? comunicador? webwriter?

Agora veja: se nem os próprios condutores de conteúdo na internet conseguem se entender e classificar o que fazem, quem dirá órgãos externos como a polícia e a justiça. Nenhum delegado ou juiz tem obrigação de entender minúcias da informática, por exemplo, se o Wordpress é uma plataforma A, B ou C; se o Firefox vem com abas ou não; se o Orkut é mais brasileiro do que o MySpace.

Para quem trabalha na área esses assuntos podem ser mais claros do que água, mas para quem é de fora a compreensão exige um esforço imenso.

No exterior existem várias associações que se formam ao redor de cada nova atividade comercial na internet. É o caso dos próprios blogueiros americanos e outro que acompanho de perto, o pessoal que trabalha com medições na internet: Web Analytics Association (veja uma matéria sobre esse mercado).

Essas associações tem um papel muito relevante de diálogo junto à sociedade. Elas fazem aquilo que o indivíduo tenho dificuldade. Se um membro for acusado, elas podem contratar profissionais especializados em defender sua área, enfim, os benefícios são muitos.

Se eu perguntar a qualquer profissional brasileiro em uma entrevista de emprego sobre a sua capacidade de trabalhar em grupo, ele não irá demorar por responder que é fera nisso. Mas onde estão os grupos que atuam em nome dos profissionais de internet?

Muitos reclamam da morosidade da justiça. Talvez pela velocidade com que acessam seus dados na web, gostariam de ter suas queixas julgadas ao mesmo gosto. Como se a justiça existisse para atender demandas individuais e personalizadas. Nem de longe esse é o caso. A justiça existe para defender toda a sociedade. E é um princípio judicial básico, conhecido até por leigos como eu, que toda acusação deve ser seguida por um direito amplo de defesa. Eu gosto muito desse princípio, e todos que gostam da tal liberdade de expressão também deveriam estimá-lo, afinal, acusar é muito fácil, mas os efeitos da nossa acusação podem ser devastadores.

Você é capaz de mensurar as consequências que uma palavra mal interpretada, publicada no seu site, pode levar à vida de pessoas e organizações?

Para que você me entenda melhor vou lançar uma luz nesse raciocício.

Falo sobre o texto publicado em um “manual de sobrevivência”; esse é o conceito do site.

Em seu conteúdo surge uma matéria que expõe uma empresa: Rancho da Traíra - preço salgado e comida sem sal; e o mais interessante ainda é a defesa que se segue pela própria empresa.

Alguém irá festejar o campo de batalha textual. Dirá que finalmente atingimos o auge da democracia e do espaço igualitário de comunicação. Porém lembro-me de um velho ditado que “a palavra dita não pode mais ser recuperada“…

Reparação por danos morais? Será que esse é o caminho ideal para terminar um jantar? Ao ser mal atendido em algum estabelecimento devo sacar minha carteira de blogueiro e ameaçar como se fosse um jurássico jornalista que os blogueiros tanto ironizam?

Imagine um cenário em que a justiça cível terá que resolver cada insatisfação com um produto consumido. Cada querela de balcão. Nesse caso a internet está mais para esgoto das nossas insatisfações.

A mesma tecnologia que agiliza o nosso tempo é a que nos dispersa com suas futilidades!

Minha sina é bater na tecla da responsabilidade individual. Talvez a ação mais medíocre do homem, desde a revolução industrial, é transferir para as máquinas a sua incapacidade de lidar com o outro.

A questão da liberdade de expressão não se restringe a declarar afeição por determinado candidato político, ou falar mal de uma empresa que presta um mal serviço.

Utilizar o poder da comunicação para atalhar os trâmites e as leis que estão à nossa disposição nos classifica como qualquer tirano a quem criticamos. Essa prática é uma demonstração clara, que com poder nas mãos, utilizamos de qualquer meio de imposição da nossa vontade, portanto, a linha entre liberdade e ditadura torna-se tênue quando não há responsabilidade pelas próprias ações.

É irônico que os maiores defensores da liberdade de expressão incorram no mesmo erro de antigos revolucionários; a guilhotina agora é digital…

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Do leite estragado ao Direito de Propriedade

7 de novembro de 2007 às 8:06

ilustra_Leite_corMuitos blogueiros mudaram de opinião sobre a microsoft quando seu conteúdo foi clonado por espertinhos. É que pimenta em nosso olho arde mais do que no olho dos outros. E o que dizer sobre o roubo não só do conteúdo mas de todo o sistema como ocorreu com o John Cow (cuidado, pode ser uma estratégia de marketing também).

Eu sou daquele tempo em que o leite era entregue na porta de casa. Os fornecedores colocavam uma garrafa de vidro em nossa porta. E o dia que o leite estava mais ralo minha mãe alertava que poderia dar uma caganeira disfunção intestinal porque fora adicionado água no produto. Sim! O pior mal que um leite poderia causar era uma corrida ao banheiro.

Veja os males que podem decorrer das fraudes segundo o Jornal Gazeta do Povo

Em altas quantidades:
Soda cáustica – Danifica a mucosa intestinal, causando até perfurações.
Inflama as mucosas do esôfago e do estômago, podendo causar esofagite e gastrite.
Muda o PH do sistema gástrico, o que prejudica seu funcionamento normal.
Água oxigenada – Também causa esofagite e gastrite.
Danifica a membrana das células do estômago, o que pode causar úlcera e erosão.
Em pequenas quantidades:
A soda cáustica e a água oxigenada podem causar enjôos, inflamações e vômitos.

superhomemHoje ao fazer meu café notei que ele estava uma “água de batata”. Ao reclamar uns dias atrás, Gislene disse que era a marca que eu deveria mudar para outra marca melhor, eu mudei, mas o gosto não mudou. Então lembrei-me dos boatos que se coloca pó de serra no café para fazê-lo render. Daí estendi meu pensamento para tudo, será que tudo está adulterado. Pensei logo na nossa brasilidade ética. Mas será que em todo o mundo isso não ocorre? Sempre falamos mal da malandragem brasileira, mas os casos recentes da Enron e da invasão ao Iraque (1) (2) (3) mostrou ao mundo que malandragem não tem endereço.

Penso até que esse saudosismo não possui cabimento. Pois além da nacionalidade e tempo a malandragem não possui restrição de qualquer ordem, ela existe junto com a humanidade. Pode haver uma diferença de viés cultural, que permeabiliza o processo. Ora ele se manifesta com maior intensidade ou não. Mas segundo meus conhecimentos Taylóricos (rss), o ser humano vai tentar tirar vantagem em qualquer oportunidade que lhe vier à mão. E a pior forma de manifestar esse desejo ocorre através da postura altruísta. Eu rejeito com veemência essa idéia de salvador da pátria, estilo Ayrton Senna, Betinho, pelé, lula e outros que endeusamos pelo seu grande ato de generosidade: Emprestar sua imagem para causas sociais.

Cabe aqui uma nota sobre o Lula, ele não é presidente no sentido real da palavra ele não preside, pois constantemente fala que não é de sua responsabilidade vários fatos que deveriam ser. O Lula emprestou aos políticos a imagem de operário honesto. Personagem que nunca antes nesse país possuiu tanta liberdade de mudar as coisas. Mesmo que essa liberdade só exista no imaginário popular.

O filme Tropa de Elite levantou a discussão do limite entre o legal e o ilegal, responsabilidade sobre o narcotráfico, e outras pendengas sociais. Então estamos em um clima de compartilhar responsabilidades. Em nossa prática cotidiana estamos nos vigiando (olha foucault aí) para não colaborar com a decadência da sociedade.

Existem duas posturas claras em relação à ética social: Uma é aderir ao pode tudo e a outra é aderir ao pode nada. Vô nun vô? No estilo pânico na TV mesmo. Essa tendência paradoxal nos deixa confortáveis, não é mesmo. Ou eu sou do mal ou eu sou do bem, concordo ou discordo, linux ou windows, yahoo ou google, mac ou pc, é mais fácil escolher entre duas alternativas contraditórias do que admitir gradações e gostos intermediários. Basta pensarmos no quão difícil é um político solteiro conseguir eleger-se, porque se imagina que alguém que não cuida da esposa e dos filhos não poderá cuidar da sociedade. E eu lhe pergunto: O que uma coisa tem a ver com a outra? Não, não queremos alguém que não possui uma família nos governando. Daí elegemos pessoas que não possuem um bom histórico na polícia mas possui uma família que lhe venera, já que rouba da população para sustentar bem a família.

Nossa ética é esquisita!

Achei esse vídeo abaixo interessante. Não só pelo Ciro Gomes chamar seu opositor de FDP. Mas a defesa não preocupou-se com a acusação maior efetuada por Ciro, de que haveria uma compra de políticos. Não tocou-se no assunto antes a defesa procurou ressaltar o caso como uma ofensa às famílias. Eu lhes pergunto qual ofensa é mais preocupante à sociedade desvio de dinheiro público ou xingar alguém em um discurso político?

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Vou retomar o assunto em uma próxima postagem para não cansá-los…

Abraços!!

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