Quem tudo quer nada tem - Por que os gananciosos não crescem profissionalmente?
A mulher chorava copiosamente no fundo da igreja. E eu no meio disso. Como tal disputa poderia se dar naquele lugar?
Os grupos lutavam pelas tarefas executadas para agradar a Deus. E cada tarefa deveria ser mais graciosa do que a outra para mostrar o quanto cada um era devoto em sua fé.
Essa disputa sempre vem escondida por um argumento racional. Um argumento daqueles que mostram a ineficiência do outro grupo. E com esse argumento vem uma estratégia forte: Despersonalizar a crítica. Dizer que não é a pessoa, mas o perfil. Não é a intenção. A intenção na verdade é boa, mas o líder está no lugar errado. Talvez deveria ir para outra função, talvez seu lugar não seja alí.
E a mulher chorava muito e não se conteve:
- Porque vocês fazem isso?
Enfim, não haveria como continuar a discussão, o choro daquela mulher era constrangedor para todos nós.
- Porque vocês simplesmente não adoram a Deus e esquecem de fazer o melhor por ele. Somente por adorá-lo vocês já fariam o melhor.
Talvez para você que nunca entrou em uma igreja evangélica e essas palavras não fazemm o menor sentido. Mas para quem está habituado a mega estrutura que se monta sob o pretexto de adorar a Deus, saberá a exatidão desse choro.
Minha fase de igreja já se foi a muito tempo, mas hoje lembrei-me desse acontecimento.
Em qual a empresa não ocorre uma disputa de poder semelhante. Qual a organização que não é dividida por essas disputas?
O gestor ama seu negócio, ele coloca o coração no negócio e ele prospera. Mas com o tempo sua fórmula é constante demais para um grupo. O gestor se apega tanto àquela estrutura que não consegue mais enxergar novos horizontes para a equipe. Então surgem os inovadores, surgem pessoas com idéias brilhantes que desejam uma organização diferente.
O gestor não abre mão do seu ideal. Mudar a rotina da organização é como deixar a filha sair de casa sem hora para voltar. O pior: a filha não diz para onde vai, e nem com quem vai. Ele diz que quer mudar, que quer ouvir os subordinados, mas é só fingimento, ele não quer mudar de jeito nenhum. Ele finge que ao ouvir está com vontade de mudar, mas no fundo só quer adiar o máximo de tempo uma mudança eminente.
A mulher chorosa está alheia ao que envolve a todos na organização. Ela comprou a idéia original da organização, mas todos já esqueceram dessa idéia. A mulher que chora não tem só ideal, ela tem o coração nele. Enquanto isso, grupos se dividem entre a mudança e a resistência.
As vezes, o prevalecer de um grupo significa a própria sobrevivência. Mas para obter essa mesma sobrevivência a ajuda do grupo rival é imprescindível, e o gestor está na popular sinuca de bico.
O xadrez está aí: Um grupo quer tradição, outro quer renovação e o outro chora diante da disputa.
E eu pensei que nunca mais ouviria esse choro novamente…
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