Ontem comecei com uma turma nova em um curso de administração. Em uma das falas eu me referi a questão do reconhecimento profissional na área de informática.

É evidente que o reconhecimento passa pela remuneração. Não há reconhecimento melhor de trabalho do que compartilhar o beneficio financeiro que ele proporciona, justamente com aquele que o executa.

Se ele proporciona lucro então esse lucro deve ser compartilhado. A proporção desse compartilhamento é que deve ser o alvo da disputa entre o contratante e o contratado. Logo, quanto menos o contratado usufrui do lucro que o seu trabalho produz, mais o contratante leva vantagem na relação.

O post de Vitor Pamplona: Gosto do que eu faço, logo, ganho pouco, nos faz refletir sobre isso.

É ingenuidade culpar clientes por esse comportamento que alguns identificam como oportunista. Qual é o mal em querer pagar o menor preço? Pessoas inteligentes quando compram um produto pesquisam antes para obter a melhor relação de custo-benefício. Porque os nossos clientes pensariam diferente?

O que espanta é o comportamento não de quem adquire os serviços, mas de quem vende. Há até quem festeje o cenário anárquico do mercado de profissionais de informática, mas pesquise mesmo nas economias mais liberais, se existe um mercado tão desregulamentado como o brasileiro?

Nosso canibalismo. E o pior, nossa autofagia, causa uma subremuneração vergonhosa e isso é exclusivamente culpa dos próprios prestadores de serviço que se vendem muito barato.

Outra postagem interessante sobre o tema está no site do Plínio Torres: O cara da informática.

Já o excelente artista-designer, Morandini, ilustrou de uma maneira bem humorada essa desvalorização a qual fazemos referência:

Ao longo desses anos, esses pedidos assumiram as mais variadas formas e vieram disfarçados sob os mais diversos argumentos.
Seguem os mais comuns:

> Não precisa ter pressa… Quando você tiver cinco minutinhos sobrando você faz…
> No momento a grana está curta, mas assim que der retorno a gente acerta!
> Faça esse trabalho de graça e no próximo eu nem pergunto o preço!
> Pagar eu não posso, mas vou divulgar seu nome para todo mundo!
> Você poderá divulgar seu nome junto com o desenho ou colocar sua assinatura na arte!
> Isso pra você é moleza…
> Tenho um amigo que faz de graça mas quero dar a oportunidade para você!
> É uma parceria: você faz de graça agora e ganha lá na frente!
> Faça uns esboços. Se eu gostar a gente acerta um preço.
> Não precisa ser nada muito caprichado…
> Faz aí depois a gente acerta!
> Ah, mais isso é diversão para você! Você faz brincando! (Vai dizer isso para uma ‘profissional do sexo’ para ver o que ela responde…).

Todas essas frases e pedidos me levam a acreditar que essas pessoas que pedem coisas de graça acham que:

> Eu não me alimento, não tenho contas para pagar e meu carro é abastecido com ar.
> Meus softwares são de graça e recebo meus computadores e equipamentos como doação.
> Minha conexão de internet é feita através de telepatia.
> Eu desenho por diversão, crio logotipos por prazer e projeto coisas apenas para ocupar o tempo.
> As idéias nascem na cabeça por geração espontânea.
> O Governo não me cobra impostos.
> Acho livros e material de pesquisa na rua (além de não me cobrarem ingressos em exposições e eventos).
> Recebi uma herança (grana pra nunca mais ter de trabalhar!) e resolvi virar uma espécie de ‘Madre Tereza de Calcutá’ do design e da arte, fazendo apenas caridade…
> Meus fornecedores mandam um enorme carregamento de tintas, pincéis e telas todos os meses (de graça!!!) para o estúdio.
> Meu dentista, meu contador, minha faxineira e todos aqueles que prestam serviços para mim, trabalham por prazer, sem cobrar um centavo!

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