Pois bem. Na Biblioteca Central da Ufes, que é a universidade na qual eu estudo, as máquinas estão abandonadas. Sabe o porquê? Lá você não tem acesso nem ao oráculo. Isso mesmo, as pessoas que pesquisam na Ufes, não podem acessar ao site de pesquisa mais acessado na internet.

Eles também não liberam, e-mail, editores de texto e outras ferramentas úteis. É bem verdade, que o pessoal andou abusando nos acessos, indo em endereços poucos recomendados à instituições de ensino. Lembro-me inclusive de um caso engraçado no qual um colega meu clicou em um site meu, e esse link abria o cliente de e-mail da máquina, já com meu e-mail dentro. Na verdade era impossível ele mandar um e-mail, já que o cliente não tinha acesso a um servidor. Porém, alguns dias depois, a estagiária do laboratório me chamou a atenção e desejava me barrar de usar as máquinas por isso…

Mas o pior está para vir e aconteceu hoje comigo. No laboratório de informática do meu curso, existem vários estagiários, que cá entre nós, estão totalmente fora do seu contexto de atuação, já que em sua maioria são de cursos que não tem muito a ver com informática, como Serviço Social e Economia.

Nesse laboratório, pelo menos o e-mail e editores de texto é liberado, porém acessar MSN, Youtube, Orkut e coisas do gênero, nada feito. Até aí tudo bem, eu inclusive concordo que esses três serviços pouco tem a contribuir diretamente com pesquisas.

Bom, como sou bolsista em uma pesquisa que investiga a relação entre pessoas e tecnologias, e estou finalizando meus relatórios de pesquisa. Eis que sento-me na máquina. Entre os meus feeds de RSS, havia uma postagem muito interessante sobre o projeto da microsoft chamado surface. Ela falava inclusive que seria um novo Sistema Operacional que seria muito útil para pessoas portadoras de deficiência; que seria um marco na acessibilidade. Eis que encantado eu entro no site, e me abre uma apresentação muito impactante em Flash, e quando eu começava a babar. Eis que o estagiário, com dois fones no ouvido, me dá um grito: Ei você, Ei você. Eu nem liguei, estava cada vez mais imerso: Ei você é proibido ver filme aqui no laboratório. Eu continuei sem dar bola, pensei mesmo estar ele falando com outra pessoa, mas alguém do meu lado, me cutucou…

Imagine minha ira. Eu que sou um defensor da boa utilização das máquinas, que escrevo aqui quase todos os dias sobre como não ficar disperso pela internet, e me preocupo vinte e quatro horas em pesquisar formas de fazê-la ser acessível às pessoas.

Bom gente, é por essas e outras que eu clamo aos empresários que me lêem… equilíbrio… equilíbrio… antes de bloquear tudo… converse com seus funcionários… gente ociosa é ociosa com ou sem computador… saiba extrair o máximo de potencial das máquinas e das pessoas, mantendo um ambiente de confiança recíproco… eu ainda tenho muito a falar sobre isso…