O que fazer quando a universidade não acompanha o mercado?
Bom, essa postagem rende uma boa discussão. Já vi até alguns “gurus” sugerirem às pessoas para evitar o Ensino Superior. Principalmente quem trabalha com internet, está encontrando muita dificuldade em conciliar as duas áreas. Os professores de fato, não conseguem orientar pesquisas e trabalhos nessa área. Isso ocorre por dois motivos: A volatilidade dos temas na internet e ao próprio atraso do estado em acompanhar esse novo mercado.
A volatilidade dos temas na internet
O que é internet? O que é mais importante observar ao pesquisá-la? O progresso das máquinas? A adaptação das pessoas à essa realidade? O ambiente virtual? Sobre esse último parece ser a abordagem mais utilizada. Principalmente pelos ícones Levy e Castells - todos que pesquisarem internet terão de passar por eles. Sim é uma perspectiva estruturalista, nos faz pensar que a internet, não é um conjunto de elementos desintegrados. Mas elementos pertinentes, que não existe um sem o outro.
O mais interessante nisso é como o ser humano está interagindo com as máquinas, como ele está se adaptando às máquinas. Daí surge algumas pessoas que falam em acessibilidade e fazem uma corrente em oposição. Eles afirmam que deve ocorrer o oposto: As máquinas (e em consequência as interfaces) devem se adaptar ao homem.
O que extraio disso e gostaria de compartilhar com vocês, é que a revolução tecno-científica (que desencadeou todo o progresso humano conhecido atualmente) é como um mar que hora empurra tudo o que se pode, e em outros momentos se esvazia colhendo elementos para sua recomposição.
O atraso do estado em acompanhar esse novo mercado.
Quando se fala em estado brasileiro, então a coisa fica pior. A culpa não é muito dos professores, eles são até bons. Alguns até querem manter a universidade fora do mercado de próprosito, não sei bem o porquê, não sei qual é o motivo ideológico para isso? Se for o pensamento que o mercado corrompe o saber científico, então isso é uma confissão que ele não é capaz de enfrentar meros interesses, então que saber é esse? O sábio deveria prevalecer e ainda ser capaz de dominar quem se aproxima dele. Ou não?
Como disse, a culpa não é dos professores, não é nem da elite, ou de qualquer plano conspiratório. Falta uma dialética, faltam pessoas dispostas a romper a barreira do preconceito, do desinteresse, e do descrédito. Meu trabalho vai nesse rumo.
Tentei fazer uma inserção do que penso através de uma bolsa de pesquisa. Mas logo me adaptei à professora, porque de fato ela possui a objetividade necessária para isso, essa experiência, me fez entender melhor como inserir o que se pensa no mundo científico. Com certeza não é escrevendo em um blog, mas é sendo capaz de convencer através de teses e dissertações que os doutores tem que entender a efervescência de um novo veículos de comunicação, que tem poderes imensos. (muito subutilizados por sinal).
O atraso do estado, não é o atraso do governo, mas o reflexo do atraso de toda uma sociedade, que se vê incapaz de se desenvolver com tantas ferramentas potentes nas mãos. A maior prova disso é que a internet tornou-se um semi-monopólio de aplicações. Houve tanto idealismo nos anos 80 com os IRC’s, e com a promoção de ambientes chamados “portais”, que se destinavam a criar um espaço universal-totalizante, nos dizeres de Levy. Atualmente o que se vê? Não há multiplicidade de idéias, não surgiu uma grande enciclopédia coletiva (a wikipédia tentou materializar a metáfora), não surgiu a mídia salvadora do mundo. Por outro lado, a internet não é o ambiente livre de identificação que todos pensavam (vejam os acordos do Google com o Ministério Público), não é prioritariamente um antro de pedofilia, e de terrorismo. Ela por si só não gera terrorismo ou pedofilia, só haverá isso na internet, se a pessoa estiver predisposta a praticar, o mal não está na máquina como muitos ainda insistem, mas em quem a utiliza.
Respondendo a pergunta da postagem: O que fazer quando a universidade não acompanha o mercado?
Responderei da mesma forma que respondo quando me perguntam, por quê estudo administração. O senso comum observa o que está na moda. Para quem quer se aprofundar administração não é bom porque há uma enorme indústria de diplomas, logo vem a idéia de muita concorrência, vem a idéia de baixos salários. Ora vejo muito pelo contrário, se algo é de grande interesse, é porque é útil. Vocês perceberam que o jargão mais utilizado na publicidade agora é: seja diferente. Pois é, mais uma vez o mercado inverteu a lógica, e conseguiu fazer do ser diferente, uma moda como outra qualquer.
Então imagine se eu e você entrarmos nessa confusão mental, uma hora é bacana ser diferente outra hora ser diferente torna-se desimportante. Alguns utilizam outra idéia mais senso comum ainda: Faço porque gosto. Ora, fazer o que se gosta é ir muito além de estudar e trabalhar, dúvido muito que alguém consiga se realizar plenamente. Ou seja, independente do curso que escolher, e da profissão, sempre haverá um motivo para se satisfazer, caso contrário amigo: você morreu e nem sabe.
O que os pais da aviação fizeram quando a família, a universidade, e o mundo não acreditavam que o homem poderia voar? Mudaram de idéia? Não; eles provaram para os outros, que era possível vir a existir algo, em que acreditaram existir primeiro.
No meu caso digo que não faz muita diferença se não recebo atenção imediata pelo meu objeto de estudo, sei que estou a frente. Mas não tão a frente assim, vamos com calma, cuidado, muitos morreram para Dumont ganhar a fama e depois também…rss
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