Porque perder tanto tempo discutindo sobre malas? Elas são somente recipientes! O importante é o que elas guardam… Alías, porque perder tempo discutindo sobre o dinheiro encontrado dentro das malas? O importante não é o papel impresso, mas de igual forma o que ele guarda…

Por ironia do destino é a própria bíblia que afirma: “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males…”(1 Tm 6:10a). Pastores, políticos e empresários que figuram nas crônicas jornalescas que o digam!
Começamos com as malas, passamos pelo dinheiro e que tal fecharmos o elo de raciocínio, chamando a famigerada consciência, a qual Freud denomina superego. Independente da definição mais correta ou do início, meio e fim a que se destina o emprego das malas e do dinheiro, a única certeza que podemos ter sobre esses e outros episódios do nosso esfarrapado “tecido social”, é que nossas ações são controladas por aqueles que detêm esse tipo de argumento: O Poder.

A crítica sobre a corrupção na política não pode estar dissociada de uma autocrítica social. Todos nós estamos sujeitos a sedução nessa ordem de coisas. É impossível imaginar que o poder surge de maneira espontânea, como sugerem os grandes gurus das palestras motivacionais.

O estado democrático difunde a idéia que todos os cidadãos possuem oportunidades iguais dentro da sociedade para alcançar o sucesso pessoal. Bastaria boa vontade; ser o melhor aluno da faculdade; o funcionário mais dedicado da empresa; um bom pai de família. E assim as portas do céu se abririam, e a prosperidade viria até o nosso encontro…amém!

É muita maldade crucificar gratuitamente o estado liberal e suas facetas. As ferramentas de controle social vigentes em nossos dias – sejam de cunho político, econômico ou religioso – não passam de mera acomodação ao pensamento do homem moderno.

Assim como o guerreiro cristão na Idade média não seria condicionado a cometer todas as barbáries em troca de ações em Wall Street. Nós também não consideraríamos honroso receber o perdão dos nossos pecados cortando a cabeça de árabes em Jerusalém. E o que dizer do homem neocolonial? Será que você embarcaria em uma viagem transoceânica sob o pretexto de levar o progresso aos africanos, e de repente seria capaz de mudar para um negócio mais lucrativo: vender gente para a América? Pois é os mesmos franceses que enriqueceram o seu país com esse artifício, hoje condenam o genocídio dos iraquianos. E isso não se dá por questão de afetividade, mas é estratégico para os francos o fortalecimento da União Européia em sobreposição ao domínio anglo-americano no mundo.

A eleição do presidente “gato-borralheiro”, demonstrou que não podemos pensar que as soluções surgem de forma exógena – de fora para dentro. Aos poucos estamos aprendendo a nos livrar da figura do “salvador-da-pátria”, já estamos nos preocupando com que está em volta do poder central, sua equipe, assessores, partido…

Quando estivermos mais amadurecidos faremos uma inversão: Vamos nos preocupar com as pessoas que estão em nossa volta; se vale a pena vendermos nossas crenças pessoais por uma ordem superior; se uma tese de mestrado atrelada ao interesse de um professor ou uma empresa, vale os aplausos patéticos da academia.

Quando ocorrem escanda-los na proporção que temos presenciado nesses dias, a mídia instiga na sociedade uma avidez por justiça, os políticos armam um palco para representar uma espécie de meã-culpa. A CPI é um show, uma inquisição contemporânea de luxo. As fogueiras ardem sob o pretexto de expurgar a vaidade de homens que se acham acima de tudo. As urros das torturas são substituídos pelo deboche do interrogado. E a inversão não termina por aí: como se fosse um profeta o inquirido aponta para a platéia e numa espécie de profecia as avessas, dispara:

- Vocês não são melhores do que eu…

E todos calam…

A solução para o mistério das malas é a última setença: mais uma vez o réu condena a todos!

Abraços!
Luiz Aquino Diniz

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