Iniciativa, motivação, cooperação, flexibilidade, oportunismo, experiência, bilíngüe, criatividade, ousadia, feeling, doutorado, beleza, carisma, especialização, audácia, educação, determinismo…Ufa! Essas são algumas exigências retiradas de anúncios de jornal. Elas são condições para a obtenção de uma vaga no mercado de trabalho. Quantas “características” mencionadas acima você possui? Saiba que a possibilidade de sobreviver nessa selva é diretamente proporcional a esse número! Donald Trump grande empreendedor norte-americano, entrou na onda dos Reality Shows surfando na utilização da “versatilidade humana”. A reedição brasileira, com direitos de copyright arrendados por Roberto Justus é o maior sucesso. O aprendiz e programas desse gênero dão certo porque despertam nossos instintos sádicos. Nos enche de inveja ver pessoas renunciando todas as fraquezas humanas, para alcançar a salvação através de um salário anual de R$ 250.000,00. No final do programa temos a sensação de atingir uma espécie de nirvana junto com o ganhador. Outro dia um dos competidores foi emblemático: Vou ter que escolher o fulano para sair porque ele não salvou um arquivo e perdeu todo o nosso trabalho! Lá na minha terra isso se chama: Escolher um pra Cristo - entre eles é uma avaliação de desempenho! Acho que estou até exagerando um pouco, afinal segundo já me ensinaram, quando ocorre uma grande desgraça em nossa vida devemos perguntar qual é a lição que devemos tirar disso. No caso do competidor que foi eliminado a lição seria: Nunca confie em seu computador, nem no disquete e muito menos em quem está do seu lado torcendo para você se danar! Pra jogar mais fogueira nessa lenha, vou dar de graça uma sugestão: Que tal soltar todo mundo – inclusive o apresentador metido a sabichão – em uma ilha deserta; sem comida, hotel, carro, dinheiro. O que aconteceria ao longo do tempo? Vamos profetizar? É óbvio que formarão grupos rivais, hierarquias surgirão, haverão dominadores e dominados, os mais inúteis serão eliminados quando a fome apertar (o Justus vai ser o primeiro), o mais forte vai ficar com a mais gostosa e todos servirão os dois como se eles fossem deuses. Depois de uns quinhentos anos, a ilha não vai oferecer mais condições de subsistência, eles terão que conquistar outros povos, e o resto você já sabe…. Com todas as pesquisas na área da psicologia, sociologia e afins, não há outra forma de conduzir uma equipe além do estilo autoritário? A modernidade embalada pelo advento da revolução industrial apregoou a rejeição da atividade escravista, seria uma quebra de paradigma nas relações de trabalho. Entretanto para fazer uma comparação um pouco grosseira diríamos que: Enquanto o escravo possuia consciência da sua condição de segunda categoria como pessoa, o trabalhador atual, sonhando em se equiparar financeiramente aos detentores da sua mão de obra, aliena-se totalmente, servindo das migalhas que caem na mesa dos seus donos, são usurpado com consentimento. E Não é raro que tudo isso ocorra com a obrigação do espoliado exibir um tremendo sorriso ao longo do dia! Sempre insisto que vivemos na era da inversão lógica. E as questões profissionais não estão fugindo essa regra: O grande segredo para ganhar dinheiro, não está em participar dos Bestsellers, Reality Shows, palestras encantadas ou atividades do gênero. Nesse tipo de negócio quem ganha a herança é o pai da idéia e não os filhos. Forçando mais um pouco a analogia a coisa além de sádica fica trágica, pois além do lucro que os filhos proporcionam ao pai, se matando ao longo do trabalho; o mais forte, sobrevivente, passa a possuir o “status” de sucessor, reproduzindo o jogo de sujeição da dignidade humana. Ah!… e por falar em dignidade humana, gostaria de perguntar sobre essa característica: Você a possui? Que bom ela vale por todas as outras mencionadas no início desse artigo!

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