Nessa minha busca por Luz tenho vivido momentos muitos intensos, muitas oscilações desde demonstrações de companheirismo e abandonos.

Devo muitos agradecimentos a minha grande companheira de trabalho: Gislene, da WorkConsultoria! Ela me acolheu e me acolhe em seu escritório, no qual, fizemos um grande projeto que abrigou 20 alunos em sua maioria vindos de outra cidades e vários comerciantes locais.

mergulho.jpgEsse projeto começou quando decidimos contatar um colégio no Bairro na Cidade de Serra/ES. Esse colégio nos permitiu iniciar o trabalho de Cursos na área de Gestão. Eu leciono Noções de Administração, Empreendedorismo e E-business e a Gislene trabalha com Organização do Trabalho, Atendimento e Vendas, Auxiliar Adminsitrativo e Assistente de Departamento Pessoal.

Foi um desafio e tanto. Fizemos um evento onde apareceram mais de 150 jovens da região. Contamos com a colaboração dos comerciantes locais que patrocinaram cadeiras, lanches e a própria dona do colégio colaborou muito, enfim, um começo muito bom. Sorteamos várias bolsas e no decorrer de dois meses colocamos em prática um curso que teve seu cunho social e ao mesmo tempo atendeu nossa expectativa de viabilizar as despesas de escritório.

É verdade que abrimos mão da nosso ganho financeiro, e esperávamos que pelo menos nas primeiras turmas a dona do colégio fizesse o mesmo. Porém isso não ocorreu, e compreendemos plenamente que um capitalista tem que angariar lucros com o seu negócio, inclusive ensinamos isso aos nossos treinandos. A cobrança foi forte por parte dos donos do estabelecimento, e não suportamos a pressão que logo passou a se constituir em desconfiança sobre a nossa honestidade nos relatórios.

Ficamos muito tristes com isso, porém, mesmo desejávamos levar a parceria até o fim, pelo menos das turmas iniciais. Contudo fomos convidados a nos retirar do estabelecimento, junto com nossos vinte alunos, e ao invés de ver isso como uma derrota, visualizamos uma nova oportunidade de firmar parcerias com os amigos, e aprofundar nosso relacionamento com os alunos.

Explicamos a situação para eles e também entramos em contato com vários clientes que nos apoiaram, uma cliente minha nos alugou as cadeiras, eu mesmo tirei algum dinheiro para ajudar no aluguél de uma nova sala, enquanto a Gislene pediu o adiantamento de uma consultoria e lá fomos nós para um novo desafio.

As despesas dobraram e os nossos alunos já pagaram todas as parcelas que combinamos e nesses últimos dias estamos lutando muito para arcar pessoalmente com despesas referente a materiais e afins; mas acreditamos que é desse jeito que a mudança pode ocorrer na sociedade.

Me parece que nosso objetivo foi alcançado porque os alunos nos passam uma enorme satisfação em estar conosco, e frequentemente nos retornam sua opinião, dizendo que superamos suas expectativas com relação ao curso e também com relação à outros cursos de nome que eles já fizeram, enfim, vamos terminar de cabeça erguida essa fase.

Fica a grande lição sobre a periferia do quanto ela é incapaz de se erguer diante da cultura de submissão que foi colocada. Para falar a verdade, tivemos que sair do bairro que mais precisava do curso e ir para um outro no qual a faixa de renda é maior, mesmo assim tenho que sempre lembrar que a maioria dos nossos alunos são de outros bairros bem distantes.

Erramos na localização do projeto? Infelizmente sim! Principalmente quando falamos que éramos moradores do mesmo bairro que eles, triste não? A periferia possui vergonha de si mesma!

Na segunda-feira, quando esse artigo entrar no site, já estarei em um outro projeto enorme, daqueles projetos de Ong, com quase uma centena de participantes. Já mudei o slogan aqui da página para Empreendedorismo Social, pois esse será o principal assunto que eles desejam tratar nesse projeto. Então vou trabalhar bastante com o tema e compartilhar por aqui. São tentativas que fazemos pela mudança de um país. Um detalhe que é um sacrifício para mim é trancar a minha faculdade para dar essas aulas para cerca de 80 jovens, será que isso faz sentido?

Alguém dirá que sou altruísta. Detesto altruísmo e caridade!! Faço tudo pelo interesse, não meramente financeiro - ainda que em parte também o seja, mas pela constatação que se nós enquanto sociedade não agirmos em prol das pessoas menos favorecidades, não teremos futuro, enfim, estamos vivendo para quê, afinal? Para nos auto-destruirmos? É uma questão lógica.

Eu sou muito mais ambicioso do que meus amigos que fazem um estágio de seis horas na Vale do Rio Doce e possuem o status de bem-sucedidos. Eles trabalham pelo hoje, eu trabalho pelo amanhã. Eles constroem um mundo melhor para si mesmos e para os capitalistas que investem naquela organização. Eu construo um mundo melhor para todos que não desejam ser medíocres.

Justamente por aquela aceitação cultural que eu citei logo acima, a tendência é de piora para os pobres. Isso não é culpa deles, nem do sistema. É apenas um jogo que eles não sabem jogar, que eles pensam ganhar algo de imediato - assim como meus colegas playboys - mas a longo prazo a consequência de se vender como mão de obra barata, é a catalização de um processo que provoca mais diferença social ainda.

A resposta não deve vir de governo, igreja, ONGS ou empresas. Tudo é bem nítido para mim. Somente quando os indivíduos optarem pelo abandono da sua cultura de submissão será possível ver um país melhor para todos. Meu raciocínio está livre do viés ideológico seja marxista ou liberal. Não importa qual seria o governo ou a ideologia predominante, se todos soubessem como é bom ser livre para decidir seu próprio destino, procuraria não depender nem de governo, empresário, nem de outros falsos mestres…rss

Se importaria mais em depender de si mesmo, ouvir mais a própria voz, e partiria para o convívio social com uma opinião firme sobre seus princípios, valores e metas para alcançar durante a sua existência…

Pergunto aos leitores: Quando isso acontecerá no Brasil?

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