Livros grátis e ebooks ensinam como escrever bem na internet
Se você deseja tornar-se um bom redator/editor de web deve aprender com as pessoas que fazem web.
Tenho uma boa notícia para você. Os maiores webwriters (o que é um webwriter?) do Brasil disponibilizam seus trabalhos em e-books (o que é um ebook?):
Veja algumas iniciativas interessantes:
1) Paula Lee escritora brasileira que lançou recentemente o livro: Alugo o Meu Corpo - fiz a resenha desse livro aqui - que possui um dos blogs mais lidos na internet.
Em sua página de download’s, ela disponibiliza gratuitamente dois títulos. São postagens/contos que ela dissertou em sua página.
2) Biajoni e o Sexo Ana Uma Novela Marrom. Não é nada disso que você está pensando, a temática do sexo escancarado dá lugar a um estilo de escrita do Biajoni que é próprio dos blogueiros. Uma velocidade incrível entre os quadros, uma dinâmica narrativa das mais agradáveis, que prende do início ao fim. Vale a pena baixar e é grátis…
3) Outro que faz um ótimo trabalho em parceria com o Biajoni é o Alex Castro. Os livros de Alex e Biajoni podem ser encontrados nessa editora experimental: Os Viralata.
4) Um portal destinado ao compartilhamento de livros online é Detonando. Acesse o fórum e participe! Lá você encontrará muita gente bacana. Pessoas hávidas por informação. Eles estão promovendo a “democratização da leitura” através da distribuição livre de várias obras.
Você que não é do meio deve achar muito estranho as temáticas sugeridas. Deve achar até que eu sou um pervertido e que as pessoas acima também o são. Sabe que ocorre justamente o oposto. Com excessão do Alex Castro, todos nós somos normais.
Brincadeiras à parte. A questão central é que os editores mencionados abordam os assuntos que mais interessam as pessoas. E por acaso sexo é um deles. Está na hora de você se dar conta que a repressão que os seres humanos sofrem com relação a esse assunto assunto, estimula muito, a sua procura em um espaço tão “livre” como a internet.
Muito se questiona com relação às consequências dessa suposta liberdade. Até porque qualquer criança hoje tem acesso as mesmas informações que eu e você. Eu vejo isso não como um desafio social, mas um desafio familiar. Os pais devem repensar a educação que oferece aos filhos. E antes de solicitar que os governantes controlem a internet, devem avaliar se o melhor controle não é aquele que pode ser exercido dentro de casa.
É evidente que se você deseja escrever na internet e ganhar audiência deve trabalhar nos assuntos que a audiência procura. Não se iluda a palavra “sexo” sempre foi a mais procurada em qualquer sistema de busca. E afinal de contas, sexo não é tão ruim assim, não é?
Mas enfim, mesmo que o assunto que você deseja explorar não tenha muita relação com o tema “sexualidade”, é possível encontrar um link nas leituras mencionadas com temas externos. Alias na minha visão tão crítica fui capaz de interpretar que o livro de Biajoni quase não fala de sexo. Como assim? Não estou falando do plano objetivo, mas subjetivo. Biajoni tratou muito das questões que relacionam poder entre classes profissionais. Principalmente eu que sou por essência um profissional de administração. E no livro encontramos um profissional que administra o setor de pessoal de uma empresa, mas não é incapaz de adminsitrar sua própria família. Enfim, são inúmeras as metáforas, e incontáveis os aprendizados dessas obras.
O debate está aberto, utilize os comentários para colocar suas idéias, vamos interagir!!!
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paula
Poxa, Luiz, que texto bacana!
Sou suspeita para falar, visto que já li todos os livros do Alex e do Bia, inclusive os em papel. Também não acho que o Bia fala de sexo. No que diz respeito ao Sexo Anal, entendi que ele falava mais de sentimentos e expectativas - mesmo que estes fossem abafados pelo desejo carnal - do que propriamente de sexo.
Me lembrei de um comentário que uma vez li na net, uma pessoa revoltada porque tinha lido um texto meu que não era erótico. E quem disse que o sexo tem que ser sempre erótico? Quer dizer que o sexo, que afinal fazemos todos os dias - ou, dependendo das pessoas, uma vez ou outra pelo menos - não pode ser real, e, se acontecer algo menos erótico, na escrita devemos então fantasiar, inventar, apenas para satisfazer o ego do leitor que afinal não faz sexo nunca e por isso precisa se masturbar com o texto? (rs) Há quem pense que todos os textos abordando o sexo devem ser contos eróticos.
Eu, particularmente, me preocupo mais com as emoções, e quando falo de sexo, é das emoções que estou falando.
Num livro da Anais Nin, Delta de Vênus, até hoje não se sabe se é verdade ou mentira, ela conta que escrevia textos eróticos por encomenda, ganhava por página, e ficava frustrada porque o homem idoso e misterioso que lhe encomendava os textos sempre pedia para cortar a emoção , a poesia ou os sentimentos, e colocasse mais sexo, se concentrasse apenas no sexo.
Ela diz bem no início do livro, após explicar que, nessa época, em função do dinheiro recebido, um montão de gente começou a inventar mil histórias, reais ou não, para conseguir vendê-las ao tal senhor. Veja só alguns trechos:
«Assim, comecei a me aplicar para tornar-me bizarra e criativa, exagerando tanto que pensei que ele fosse perceber que eu estava caricaturando a sexualidade.»
«Será que alguém terá retirado alguma vez prazer da leitura de uma descrição clínica? Não saberia o velho como as palavras podem introduzir cores e sons em nossa carne?»
«Eu estava certa de que o tal velho nada sabia a respeito da beleza, dos êxtases e das deslumbrantes reverberações de um encontro sexual. Cortar a poesia era a sua mensagem. Sexo clínico, privado de todo o calor que só o amor lhe pode dar — a
orquestração de todos os sentidos, tato, audição, visão e paladar; todos os acompanhamentos eufóricos, música de fundo, estados de espírito, atmosfera, variações — forçava-o a recorrer a afrodisíacos literários.
Poderíamos ter reunido melhores segredos para lhe contar, mas a tais segredos ele seria surdo. Contudo, um dia, quando ele alcançasse a saturação, eu lhe diria como quase nos fizera perder o interesse na paixão, em razão de sua obsessão de gestos vazios de emoções, e também como nós o detestávamos por quase ter nos obrigado a fazer votos de castidade ao querer que excluíssemos aquilo que era o nosso próprio afrodisíaco: a
poesia.»
Vou passar no Detonando, obrigada pela dica!
Luiz Aquino
Ei Paula! Seu comentário me deixa muito alegre!!
Eu exploro bastante o tema, sempre volto, e sempre relaciono sexualidade à comunicação. Não é a toa que a playboy é uma das revistas mais vendidas no país. E também não é a toa que os programas de televisão, novelas, e afins utilizam modelos e “modelas”..rs para estimular a audiência…
Achei o livro do Bia um dos livros mais criativos que li, por isso. É evidente que a maioria não será capaz de perceber a isca…
Devo falar bastante de literatura em um próximo projeto do Bruno Alves, estou com muita vontade de começar… vai ser muito bacana…
Abraços e muita Luz na sua vida..
paula
Pois é, Luiz, muito interessante a sua análise (adoro bater papo via sistema de comentários). Para mim tanto a sexualidade e o sexo são uma forma de comunicação. Aliás, sexo e sexualidade entendo como formas de identificação e identidade.
Quanto à Playboy, é engraçado esse negócio do estigma, não é? Durante muito tempo a Playboy foi considerada uma revista pornográfica - por alguns ainda é - quando é, no máximo, uma revista erótica. Não sei se acontece em todos os países, mas, segundo percebi, a Playboy geralmente é bem escrita - sim, sei que nem todo mundo “lê” a Playboy - não cai na ordinarice que seria habitual em algumas publicações.
Veja só a minha ingenuidade… Um dia fui numa banca de revista e descobri que há jornais sobre sexo aqui em Portugal. Aí fiquei toda contente, comprei-os e trouxe para casa. Mas então pensei que traria notícias sobre sexo, análises, talvez uma filosofia “a la Henry Miller”, artigos sobre comportamento, entrevistas… Mas afinal só tinha pornografia, pornografia barata, tanto nas fotos quanto nos textos.
O problema das publicações do gênero, Luiz, é que escrevem sobre sexo direccionando para um público, digamos assim, tarado, e não para o público normal, eu, você, seu chefe, seu professor, nossa vizinha, que sim, faz sexo regularmente. O sexo, de uma forma ou de outra, com ou maior frequência, vai fazendo parte da nossa vida desde a nossa “primeira vez”, e, entretanto, não há assim tantas publicações sérias sobre o assunto, não se fala abertamente sobre o assunto, porque, quando se encontra algo sobre o tema, tem essa tendência de cair na ordinarice.
Então, quando vai começar com esse projecto do Bruno Alves? Avisa, hein? (Se quiser, pode avisar aqui pelo comentário).
Biajoni
excelente debate, paula e luiz.
obrigado pelas palavras.
:>)
eu disse isso várias vezes: quem acha que SEXO ANAL tem esse nome como chamariz ou que, pelo nome, trata-se de um livro de, ér, sexo, está chamando o autor de idiota. se eu fosse escrever um livro erótico colocaria o nome de TRENZINHO NO TÚNEL ou de ZONA DO AGRIÃO, algo assim… se o nome do livro é sexo anal, deve ter um motivo - e eles estão lá no livro, para quem quiser conferir. é engraçado que muita gente achou também que o livro fosse um romance homossexual… foram ler para ver dois homens transando ali - e não há homens fazendo sexo anal no livro. mas as pessoas não se frustraram: recebi vários e-mails de gays dizendo que foram com sede no livro, procurando as ditas cenas, e alguns acabaram até mesmo se excitando com algumas outras.
o ser humano é interessante, vai dizer?
;>)
bom te ver aqui, paula. ainda não li teu livro. tive que ler uns calhamaços para a copa brasileira de literatura e agora leio (meio que por obrigação) a biografia do edir macedo. depois vem o ALUGO MEU CORPO.
beijos indistintos.
:>*
paula
Esse Bia é mesmo uma comédia… Trenzinho no Túnel?
Não tinha pensado nisso, sobre como o título “Sexo Anal” podia trazer essa conotação. E afinal é isso mesmo, a questão do estigma, porque, quando se fala em sexo anal, se pensa em homossexualidade, mesmo que, na verdade, qualquer pessoa, independente da opção sexual, pode fazê-lo. Assim como, ao se falar de sexo, muitas pessoas criam a imagem visual do acto, e não das emoções. Por isso que a gente costuma dizer que, ler, qualquer pessoa alfabetizada pode… interpretar já é outra história.
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[...] dicas, e sim, falou sobre os e-books que disponibilizo para download no blog do livro. Leia aqui: Livros grátis e e-books ensinam como escrever bem na Internet. «Com excessão do Alex Castro, todos nós somos normais.», como ri dessa [...]
LFS
Lamento se parece auto-promoção, mas há mais de 15 anos escrevi um livro de contos, essencialmente de ficção científica mas alguns com uma forte componente erótica (que nas criticas que recebi foi apontado como sendo algo inovador - o que só quer dizer que a mentalidade da literatura portuguesa é incrivelmente púdica nas questões da sexualidade, pois não considerei que tivesse feito nada de inovador), que obviamente desapareceram das livrarias. Então não havia internet, e não conseguia divulgá-lo.
Recentemente decidi fazer um ebook dele e distribui-lo gratuitamente. Penso que foi outra iniciativa inovadora, pois não conheço outro autor (português) que tenha feito ainda isso. E a experiência tem tido algum interesse, em particular por parte dos leitores brasileiros, que não tinham outra forma de aceder ao livro.
Podem descarregar no link indicado, se estiverem interessados. E mais uma vez, desculpem a “promoção”, mas pareceu-me que estava relacionado com o post.
Cumprimentos
Luís
Luiz Aquino
Oi Luís… por mim sem problemas
Abraços…