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Caros Amigos.

Segue um texto que fiz com muito carinho, para despedir dos meus alunos do Curso de empreendedorismo no Projeto Nacional do Primeiro Emprego:

A crença.

Lembram-se da história que lhes contei em sala de aula? Um grande general foi chamado para socorrer seu soldado. Esse havia sido mordido por um animal venenoso. O superior não exitou em tirar o veneno com a própria boca, sugando a ferida do seu subordinado. Ao retornar para casa foi surpreendido pela mãe do guerreiro. Ela queixosa, chorando muito, lhe disse: Você destruiu minha vida pela segunda vez…

Ele confuso exclamou: Mas por quê diz isso, se salvei a vida de seu filho?

Não! O senhor libertou o corpo para lhe aprisionar a alma. Agora ele terá o mesmo fim do pai: O seguirá até a morte. O líder

A história de SuzTzu retrata um conceito muito profundo sobre liderança. Ela demonstra que uma organização vitoriosa só pode ser construída através de superiores comprometidos com o grupo.

Talvez o maior ensinamento que obtivemos através desse curso não foram as aulas, mas as atitudes que tomamos diante das dificuldades ocorridas.

Em todas as organizações, a maioria dos superiores terão poder por mera formalidade, serão indicados para tal, sem ter de fato, competência para isso. Outros serão superiores porque fizeram uma prova ou passaram em uma entrevista, esses dominam teorias, mas terão que demonstrar sua capacidade no cotidiano.

O líder fraco impõe o que pensa ao grupo. Quem não concorda com ele recebe repreensões, chantagens e castigos. Ele acredita que o ser humano é um mero animal que precisa ser “domado”. Isso só é útil quando o liderado não possui criticidade; quando as suas necessidades são as mais precárias possíveis. Ou seja: só dá certo quando se trabalha em troca de comida; nesse caso o indivíduo executaria qualquer ordem.

Hoje as empresas preferem fixar um papel na parede com as rotinas, do que pagar um gerente para mandar nesse tipo de operário; não se rebaixe a tanto, nem como operário, muito menos como gerente.

Já o líder forte, sabe que não é possível vencer com um equipe “adestrada”. Estamos na era da informação. Se a sua equipe é competente, possui uma network poderosa trabalhando para si, e ao notar a sua incapacidade, o deixará a qualquer momento.

Seu grupo só produzirá a contento se você for capaz de encantá-los com a sua sabedoria. Se não deseja fracassar, crie um ambiente favorável à criatividade e inovação. Observe a postura de quem dá ordens: Quando grita ou fala alto, está com medo. Quando gesticula muito olhando ao chão ou manda através de terceiros, é covarde. Se disser pouco, olhando diretamente na retina das pessoas, conquistará todos os seus objetivos.

O realizador

Os realizadores surgem de onde menos se aguarda. Eles não se escondem nas salas de escritório, nem se fecham em reunões. Esses homens e mulheres são capazes de dar as mãos ao seu grupo e formar uma equipe acima de qualquer contestação.

E por falar em reuniões, quando essas tornam-se excessivas é porque há sérios problemas de comunicação. Ao contrário do que se pensa, ficar discutindo horas sobre os mesmos assuntos demonstra total incapacidade em resolvê-los.

A verdade, meus caros amigos, é que o nosso país precisa de pessoas que façam o oposto do que estamos vendo ao longo dos anos. Vocês mesmo aprenderam, por meio das pessoas “responsáveis” por esse curso, o que é o descaso, a negligência e a incapacidade de gerenciar.

O empreendedor

Para ser sincero tenho que alertar que empreendedorismo é só uma moda passageira. Virão outras ondas, outros motes, saibam aproveitar e curtir o máximo cada uma delas. As organizações vivem disso. Como repentes nordestinos, improvisamos, falando sempre a mesma coisa, de uma maneira “original”.

A maior prova do que afirmo está na família: Seus pais brigam com vocês porque eles cometeram os mesmos erros no passado; eles não desejam ver o reflexo de suas ações em quem amam. Detesto Bill Gates mas tenho que concordar com ele: “antes de querer concertar o mundo arrume o seu quarto”.

Não esqueçam do que falei em sala de aula: O lider não é “mito”, ele não é “super-homem”. Quem realiza é a equipe! Quem concentra muitas tarefas em si mesmo, trabalha depois do horário, nos feriados e nas férias.

Além de demonstrar que não possui o mínimo de planejamento, deixa claro sua petulância por imaginar que a organização não pode viver sem a sua presença. “Lembra que o sono é sagrado e alimenta de horizontes o tempo acordado de viver”. (Beto Guedes)

Cuidado!

Você pode enganar a todos, mas nunca enganará a si mesmo!

A satisfação

Não é reduntante lembrar-lhes que o mais importante é a realização equilibrada; de corpo e consciência. Um rico, somente no plano material, é um infeliz rodeado de pessoas interesseiras e invejosas. Pode até esnobar o mundo, mas quando coloca a cabeça no travesseiro é a pessoa mais solitária que existe.

Quando este morrer, alguém lhe fará uma estátua, para ter a cabeça sujada pelos pombos e os pés regados pelos mendingos. Para chegar à realização equilibrada é necessário cultivar três virtudes: simplicidade, persistência e coragem.

A primeira serve para vencer os poderosos, a segunda para superar a si mesmo, e a terceira deve ser reservada para uma situação de completa descrença.

A personalidade

Deixem a sua marca nas organizações e nas pessoas que estão em sua volta. Cometa um ato positivo, por eles, que fique reservado para sempre em suas memórias. Sempre esteja pronto a servir antes de ser chamado.

Adivinhe o pensamento dos seus superiores e saiba o nome dos filhos de seus subordinados. Influencie sem as pessoas perceberem. Existe um mistério sobre a personalidade do líder: Faça com que o grupo imagine ter conquistado tudo sem o seu auxílio, e eles não saberão dar um passo sem as suas ordens.

A ética

Sempre haverão os “espertos” que imaginam obter prestígio não definindo posição nem opinião sobre as questões mais cruciais na organização. Eles são úteis como espiões, porque se vendem barato. Mas devem ser substituídos, assim que não forem mais úteis. São como os ratos de esgoto e os porcos, comem tudo o que vêem à frente, porém, sua sujeira afasta as pessoas limpas.

Observe quem não se relaciona com eles, essas são as pessoas confiáveis. O “esperto” é de grande utilidade, ele é um ótimo político, desloca-se com facilidade em qualquer área da organização. É incrível sua habilidade: mesmo as pessoas o detestando, sempre consegue extrair informações preciosas.

Na verdade o “esperto” é o mais idiota, pois todos torcem pela sua queda. Assim como o rato e o porco, morrem pela ganância, leve-o a lugares extravagantes. Por pouca diversão e reconhecimento ele é capaz de conspirar contra a própria mãe. Mas como já disse, repito: Use-o e substitua-o por outro rapidamente, sua vida dever ser breve; garanto que essa ética vocês não conheciam.

A rejeição

Isso é natural quando você busca o sucesso. Ela é fruto de duas lógicas: A Lógica do organismo e a Lógica do Inferior. A primeira é simples. Todo corpo expulsa qualquer material nocivo ao seu bom funcionamento.

Estejam preparados para isso: A perseguição, o exílio e o retorno triunfante são três estágios que não podem faltar na vida de quem luta para mudar uma organização; Já a segunda, a Lógica do Inferior, é muito comum nas escolas. Existe até uma série de piadas entituladas: “de joãozinho”, que demonstram isso. Quem supera o outro no campo das idéias tem reconhecimento imediato do grupo, e por isso, torna-se alvo de perseguição do líder formal, porque esse se vê despretigiado.

Se você era o “mestre” tenha a humildade de reconhecer que não é mais, e ofereça o seu lugar a quem se preparou melhor. Se você é o “joãozinho”, a vida real pode não terminar tão engraçada como nas piadas. Cuidado: A maioria dos poderosos são covardes!

O Segredo

Com toda a utilização de tecnologia nas empresas, imaginou-se que um dia o ser humano não teria mais emprego. Com o passar do tempo descobriu-se que a tecnologia não anula a necessidade se relacionar com pessoas, muito pelo contrário: Os “robôs” de atendimento geram uma aversão no público e fazem com que as instituições percam competitividade.

Disso falo com muita propriedade porque sou pesquisador nessa área. Quando um engenheiro chamado Taylor, sugeriu que as atividades dos operários, fossem monitoradas e processadas pelos seus superiores. Esses perderam o controle sobre a administração de suas tarefas. Desde então todo o ensino sobre gerência tem se resumido nisso: ter em mãos a descrição das atividades, rotinas e procedimentos de um deterninado serviço.

Inclusive Taylor conta a história de um operário chamado Schimidt, que constantemente é comparado a um animal na sua literatura. Ele afirmou que poderia fazer o que quisesse se todos os operários agissem como Schimidt. O maior segredo para ser bem sucedido, é não haver segredo algum!

A escolha

Nesse texto foram apresentadas duas formas de encarar a liderança. A segunda forma de liderar é a mais fácil e utilizada.

As guerras, a corrupção e as injustiças sociais não ocorrem por acaso. Culpa-se a natureza humana pelo caos da nossa sociedade. Porém todos nós, moralmente, nascemos neutros a princípio, depois vem a família, a escola e as outras organizações para moldar a nossa personalidade.

Somos um reflexo da sociedade, e ao mesmo tempo, ela reflete o que somos. Nossas organizações são degradantes porque demonstram o caráter de seus líderes e subordinados; O fracasso não ocorre por acaso.

A primeira forma de liderar é eficiente, porém difícil de ser aplicada, por isso, é muito pouco utilizada. Existem sentimentos de gratidão que dinheiro nenhum pode comprar.

Ocorrem certas amizades que valem mais do que o amor entre pai e filho. Há laços de confiança que não podem ser desfeitos mesmo diante da pior crise: O preço para obter a fidelidade de um grupo é a entrega incondicional à realização das suas necessidades mais elevadas.

O Iluminado

Não viva na sombra de outras pessoas! Seja capaz de criar sua própria luz, e que ela seja ofuscante! Nesse caso, só haverá uma alternativa aos seus adversários: Reverenciá-lo pela sua excelência! Muito ainda há para aprendermos juntos, espero vê-los em outra oportunidade.

Tudo de bom!

Luiz Aquino Diniz

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