Volto de ônibus da instituição em que trabalho como instrutor de Administração e ouço o seguinte “diálogo” ao celular:

- A resposta para a sua pergunta é sim. É fácil eu fazer isso que você quer.

Um sinal de alerta acendeu em minha memória. Lembrei-me da compra de um 586 - você conhece isso? - com um HD de 4Gb. O vendedor usava umas expressões parecidas para me explicar que eu poderia fazer miséria com aquela máquina.

O eloquente rapaz continua:

- Você quer que eu alinhe seu layout? Que eu coloque os botões de baixo para cima? Isso é muito simples. Amanhã será a primeira coisa que farei ao chegar ao escritório.

Vibrei! Puxa finalmente vou conhecer um profissional de internet em carne e osso, morador da minha querida Vitória!

- Os padrões? É lógico! a “masterpage” cuida disso! Não precisa mudar o projeto todo não! O negócio é em “dotnet” e asp.

Caramba! Eu leio umas cinco horas diárias sobre desenvolvimento web e não conheço nada do que o rapaz disse, caramba, o cara está a frente do nosso tempo. Mas algo me alerta, não só pelo sotaque carioca, que é muito comum por aqui, quando um capixaba é iludido pela conversa de um ser mais evoluído.

Mas o alerta é sobretudo pela utilização de termos técnicos. Raramente alguém da nossa área fala palavras em inglês ou informatiquês, sem a intenção de ganhar mais um pato…

Eu chego em casa e ligo a máquina apressado para saber que diabos de “masterpage” é essa. Sera um revolucionário ERP, pensei até que seria algum framework ou coisa parecida. E eis que me deparo com um esdrúxulo troço parecido com o tal de frontpage que me dá tristeza em saber que uma coisa dessas existe.

E o pior de tudo é que o cara falava alto para o ônibus inteiro ouvir.

E a pergunta que não me deixará dormir bem essa noite: Quanto será que ele cobrou do pobre coitado do cliente?

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