O cliente das Casas Bahia foi morto por vestir-se indevidamente?

15 de novembro de 2008 às 8:36

Lí a postagem de Marcelo Tas que mostra uma nota da instituição social na qual “zezinho” participou.

A contradição maior nessa história é que um trabalhador de nível básico foi quem consumou o assassinato.

Caro amigo dos direitos humanos, dessa vez não é a classe dominante; não é o crime organizado; não é o colarinho branco que agride a classe trabalhadora. É o próprio trabalhador que não vê no outro o direito de usufruir do mundo capitalista.

Nos deparamos com uma velha prática quando se fala em discriminação; aquela que surge de baixo para cima; essa aí é a raiz de todas as outras:

Será que haveria a discriminação do rico com o pobre se não houvesse a discriminação que o própria classe c, d, e… possui de si própria?

Haveria escravo sem capataz; sem feitor; sem o traficante africano?

Essa pergunta surge no momento da discussão de Zumbi dos Palmares - em alusão ao dia da consciência negra - no qual tentamos entender as motivações para a discriminação racial.

Apesar da própria instituição declarar na carta essa motivação para que o segurança das Casas Bahia efetuasse o disparo fatal; será que o rapaz foi morto por ser mestiço, ou essa afirmação é um faturamento político da tragédia?

Nenhum (a) jovem “mal vestido” (leia-se moreno, pardo) da periferia ousa sequer pisar num shopping de grife da cidade sem levantar as mais alarmantes suspeitas. Nenhuma placa, nenhum sinal explcita essa indesejabilidade, como faziam com os negros os norte-americanos. Diferentemente dos americanos, aqui o jovem da periferia já traz gravada na carne, na alma, essa interjeição.

Sempre coloco essa questão para meus alunos - sou instrutor de administração em uma instituição social -  Dificilmente nos grupos com que trabalho não há um mestiço. Gosto de questionar sempre se alí alguém concorda com políticas afirmativas, como a de cotas por exemplo. Em meio a mais de 1.000 jovens achei pouquíssimos que as defendessem.

E aqueles que defendem não sabem ao certo o porquê dessa defesa. Só alegam que o mundo é injusto então eles merecem ser colocados na frente para compensar essa injustiça.

Quando discutimos o assunto e eu compartilho minha opinião - inclusive no diálogo com os de pele mais escura - que nosso país é miscigenado e que o racismo é uma grande idiotice. Pois quando discrimino um negro, é um mestiço que fala mal de outro.

Por mais que os militantes pró-cotas queiram faturar com o ódio racial. O Brasil de 2008 é uma nação mestiça. Eu convivo com africanos de verdade na faculdade. Eles vieram direto de Angola e Cabo Verde em um intercâmbio para aprender conosco e também para nos ensinar sobre a forma alegre que levam a vida.

Não sentem-se inferiores. Eu fico surpreso quando mostram sua paixão por Portugal. Pelos times de lá. Eles não tem esse ressentimento dos militantes. Alguns já fizeram intercâmbio em Portugal antes de vir para o Brasil.

Eles são alvo da nossa admiração, pois em meio a tantas dificuldades e preconceito não abaixam a cabeça e não aceitam o esteriótipo de povo inferior.

Os “zezinhos” que morrem todos os dias nas periferias do Brasil, são alvo dessas notas apaixonadas, que não levam em consideração o pior racismo que vigora em nosso meio. É o racismo de nós mesmos. A vergonha que temos em assumir nossas origens. Sempre gostamos do racismo-vítima, mas dificilmente colocamos o dedo na ferida e falamos do racismo do pobre com o pobre. Acabem com esse e os outros tipos de racismo perderão o sentido de ser.

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Forfun: A garotada gostou; é melhor do que funk

31 de agosto de 2008 às 8:30

Ei gente, como vocês sabem eu trabalho com uma penca de adolescentes.

Eles vivem me provocando sobre música, e quando falo que curto Pink Floyd, Led Zeppelim e toda a velha escola, eles fazem reverência.

Só não entendi quando me falaram que curtiam rock e citaram esse Forfun.

Eu abri e apareceu um Reggae aí fui no MySpace e tocou várias músicas eletrônicas, com mistura de Reggae e PunkRock e também ouvi uma participação do Charlie Brow; então saquei.

A som da banda é bacana, é jovem, bem pop, vale a pena os adolescentes curtirem.

A estratégia deles para a web está muito boa, o pessoal que cuida da divulgação na net tá de parabéns!!

Para a garotada penso que é um bom começo ouvir Forfun: É melhor do que funk!

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Webwriter brigar com jornalista é bobagem

18 de agosto de 2008 às 12:02

Há uma contradição óbvia em quem se julga bem informado e torce contra Diogo Mainardi, o colunista da Veja.

Seria intrigante encontrar nela um estilo de redação diferente no contexto do público-alvo para o qual a publicação e direcionada .

E para quem critica a parcialidade da revista, por levar o conteúdo para uma visão político-social reacionária e direitista, deveria antes se perguntar sobre a constituição do povo brasileiro. Vivemos em uma sociedade vertical e a mídia somente reflete esse aspecto.

Encontrar uma redação a favor dos pobres na Revista Veja seria algo equivalente às favelas retratadas nas novelas da Rede Globo; um cenário surreal.

O conteúdo elitista da Veja não é uma imposição da classe dominante. É uma característica da cultura popular brasileira. Os pobres talvez sejam até mais preconceituosos com a pobreza do que os ricos.

Eu vejo as denúncias de Mainardi contra os partidos de esquerda sobre outro aspecto: são observações positivas. A convivência com as classes populares desde sindicatos, operários, jovens carentes entre outros, nos fez perceber a incapacidade de surgir iniciativas que signifiquem rompimento com o estado político-social com o qual essas classes convivem.

Ainda há esperança! E uma das maneiras em que essa esperança se materializa, ao contrário do que foi sugerido por Duda Mendonça não significa eleger um “presidente pobre” para salvar os pobres.

Ora, essa conotação mesquinha sobre esperança, após quase oito anos de convivência com um governo “esquerdista”, nos alerta que a esperança se constitui em algo mais amplo: conviver com a diversidade de opiniões e idéias. Entre elas, as de Diogo Mainardi.

Tudo bem. Por ser reacionário, Mainardi carrega em seu discurso muito preconceito, muito liberalismo (liberalismo com toda aquela malandragem burguesa mesmo) e esses aspectos do seu texto o colocam em pé de igualdade com qualquer zine marxista universitário (somente as cifras ganhadas com as publicações são um pouco diferentes).

O texto Seu banana, seu blogueiro! de César Paz vai nesse estilo. Com a paixão pela ascendência dos blogs ele comete um reducionismo do tema. Ele transforma uma briga entre Nascif e Mainardi, a uma briga entre velhos e novos meios de comunicação, o que não procede.

Inclusive os blogueiros gostam muito de festejar o seu ar de inovação, gostam de citar exemplos do exterior, talvez até citem o GoogleBomb do Senado Federal como um grande evento que mudou vida da nação, mas é tudo bobagem.

Qualquer edição da Veja mexe muito mais com a política nacional. Tem penetração muito maior na vida dos formadores de opinião. E alguns apontamentos nos textos de Mainardi são relevantes sim, a ponto de comporem provas em casos como o escandâlo da “fusão” entre Brasil Telecom e OI.

Não adianta festejar as inovações da geração de conteúdo pelo usuário. Ou festejar a ascensão de uma suposta nova mídia independente. A questão não é liberdade para publicar ou comentar na internet. Já possuímos um falso sistema democrático que é festejado desde os tempos da Grécia. A participação popular em discussões sócio-políticas sem preparo crítico para isso gera maior abismo social, além de gerar situações cômicas, vide o futuro nas pérolas do Enem.

Os garotos de 15 anos, com quem trabalhamos, não vêem a internet como essa mídia revolucionária que vocês profissionais gabaritados gostam de espirrar em suas palestras. Assim como incorporamos a televisão ao nosso cotidiano a internet é incorporada ao deles sem grandes implicações sociais.

A tiragem de alguns jornais cairá? Muitos deixarão de existir? Muitos jornalistas não irão se adaptar ao dinâmico mundo da internet? É provável. Assim como muitos professores, muitos administradores e muitos outros profissionais também não se adaptarão. Todavia os veículos de mídia e os profissionais que estudarem, reaprenderem e reinventarem sua maneira de agir frente aos desafios da sua época, somente ganharão mais público e maior sucesso editorial, e isso vale para todos, inclusive os blogueiros.

O uso que se faz da internet nos EUA é diferente do que se faz no Brasil, por uma razão simples: São culturas distintas. Não vamos misturar as coisas, nem sonhar acordado. Não vamos imaginar que os brasileiros vão tornar o Orkut um meio revolucionário para mudar o país.

Blogueiros que me desculpem vocês podem ser muito revolucionários nos BlogCamp’s da vida, mas nem meio de comunicação um Blog é. Um blog é uma plataforma de conteúdo e só isso. A diferença mais uma vez está entre a cadeira e a máquina, e isso vale desde os tempos de Gutenberg.

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Como países podem utilizar a internet para divulgar suas ações

17 de agosto de 2008 às 12:41

Se eleito for Obama promete abrir informações sigilosas sobre licitações

Foi o que lí na ótima matéria de Miriam Leitão: Ética de Obama.

Eu não me canso de afirmar que democracia não é voto. E que nós focamos muito em ações pontuais e nos esquecemos de viver o cotidiano. Um banco de dados disponibilizado na rede, para ser acompanhado diariamente por cidadãos e entidades como uma Agência de Fiscalização sobre ações políticas. Eu torço muito por Obama, mas suas promessas são tão perfeitas que nos deixam com aquela dúvida: Tudo é bom demais para ser verdade.

Governo da Georgia utiliza Blogspot para divulgar resistência à Russia

A matéria do Guia do Notebook: Guerra eletrônica: Rússia versus Geórgia, demonstra a estratégia utilizada pelo governo da Georgia para combater ataques aos servidores onde estão localizados seus endereços institucionais.

A ferramenta utilizada para combater a guerra eletrônica é um blog hospedado no Blogspot: Ministry of Foreign Affairs of Georgia.

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A prova que a censura existe no Brasil

17 de agosto de 2008 às 11:39

Quando falo sobre Globalização em nosso treinamento menciono que as instituições precisam se adequar ao processo de distribuição das informações que a internet desafia.

O Ministério Público de Minas Gerais, utiliza uma divisão contra a prática de crimes cibernéticos para promover a seguinte propaganda em site alheio:

A explicação do imbróglio encontra-se no site O Biscoito Fino e a Massa.

Algumas perguntas para os profissionais de internet que frequentam o HajaLuz:

1) Quando você vê a imagem acima, pensa que há um julgamento em trânsito, sobre o trabalho do profissional que é responsável pela página? Ou o conteúdo o leva a crer que trata-se de um criminoso?

2) As letrinhas que lembram o filme Matrix, comprovam a metáfora do próprio filme; a qual nos leva a pensar em uma sociedade que pensar ser livres apesar da vigilância de um estado governado por uma ditadura?

3) Porque criticarmos a censura na China se nós temos uma ao nosso redor?

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