Existem crimes que comovem a sociedade e esse é um deles. Ao mesmo tempo é hábito de jornais mercenários, alimentar suposições e amplificar detalhes inúteis para proporcionar a um público sádico momentos de prazer ao se deliciar com a miséria alheia.

Fala-se do quanto a internet promove esse tipo de comportamento. E é uma eterna discussão delimitar a culpa: se é do leitor ou se é de quem promove a barbárie jornalística.

É evidente que um veículo tão veloz como é a internet puxa para si essa vocação que reside no imaginário popular: que exista um veículo à margem da justiça que irá desvendar chagas sociais instantaneamente.

O que observei nesse caso é que a imprensa televisiva e impressa se comporta de maneira conservadora, justamente para diferenciar do seu novo concorrente.

Perceba que na televisão e nos jornais, não há acusações tão precipitadas quanto houve no caso da Escola Base. Existe um pacto silencioso de não agressão ao pai e a madrasta, afinal, até a comprovação da culpa eles são tão vítimas e tão penalizados como qualquer outro membro daquela família. E se forem inocentes, só por serem presos, já foram duplamente punidos pelas circunstâncias.

É legítimo indignar-se por esse acontecimento tão triste. Mas alguém que tem essa sensibilidade também deve indignar-se por tudo o que ocorre em seu bairro, na sua vizinhança e deve dar seu próprio destaque com proporcional ira. Falo para meus amigos que escrevem na internet e que devem fazer a diferença no aspecto positivo da palavra.

Eu já tive muitos arroubos com acontecimentos nacionais, escrevi muito texto bonito, mas que no final não resulta em nada de concreto. Façamos um favor ao bom lado da sociedade, não passemos a impressão que todas as mídias são podres. E muito menos uma mídia tão bacana como é a “mídia social”, não façamos dela esgoto dos jornais e TV.

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