Um dos temas que mais gosto em administração é a liderança. E garanto que é muito melhor falar em liderança quando somos postos em uma posição de liderança. Não somente quando estamos com um livro de Peter Drucker na cabeça, mas quando somos questionados e provados por um grupo para realizar na prática o que desejamos expor como ensinamento.

Nos últimos dias esse tema bateu forte entre as minhas prioridades, primeiro pela leitura de um livro, Líder do Futuro, do nosso papa, citado no parágrafo anterior. Se você é da área de Administração, e também não é muito chegado ao senso comum, nem a soluções prontas, não deve gostar muito destes BestSellers, assim com eu, mas vá lá, o livro tem sua validade, pelo menos para passar bonito em uma disciplina de final de curso.

Mas não é só por isso que eu estou pensando muito em liderança. É que minhas últimas experiências profissionais colocaram-me diante de certos dilemas. Se eu tivesse que definir rápido um líder eu diria que ele é alguém que intermedia interesses entre grupos; as trocas entre o seu grupo/organização e outros grupos.

Na academia gostamos muito de colocar as questões em um nível de simulação. Nos orgulhamos de escrever decisões no papel, mas e quando isso vai para o plano das implicações concretas? E quando nossas decisões surtem efeitos que atingem os mais diversos interesses, que invariavelmente são norteados pelo fator econômico. Em outras palavras, quando um grupo confia em você, ele deseja saber o que vai ganhar com isso. E evidente, o que vai ganhar financeiramente com isso!

Inovar ou reforçar hábitos?

Essa é a pergunta que me pertuba, pois em minhas consultorias ou em minha postura com uma turma em treinamento eu me confronto com uma série de procedimentos, tradições, costumes, ideologias (mesmo que escondidas), que simbolizam claramente resistência aos objetivos das organizanizações que abrigam aqueles grupos. Geralmente um grande grupo rema contra e um pequeno grupo rema a favor. É verdade que o pequeno grupo colabora, talvez por passividade, medo, e algumas vezes covardia. O pequeno grupo se apóia na organização porque essa é a última esperança, quem sabe. Mas o grande grupo está alí para aproveitar o momento, ganhar o máximo e perder o mínimo, é nesse jogo de oportunismo que surge o líder para tentar equilíbrir o jogo de forças.

Esse grupo resistente deseja a inovação, pois essa é a chance de se tornar efetiva sua influência na organização.Daí surge os desafios à ordem estabelecida e o desejo de revolução, que não raramente culmina em desgaste, ingerências e autoritarismo como resposta por parte de uma liderança despreparada para enfrentar essa conjuntura.

Autoridade sem autoritarismo.

Eis o desafio que lanço a mim mesmo, e gostaria de compartilhar com meus amigos que me lêem: como liderar sem autoritarismo, sem ameaças e sem represálias? Como dominar a resistência? Inovar até que ponto? É possível conciliar interesses até que ponto? A organização ao inovar corre um sério risco. Falar é fácil, mas e a estrutura na qual a organização se consolida? Quando você inova desconstrói tradições seculares, isso é bom até que ponto?

Falta-me ler mais sobre isso para posteriormente lançar uma opinião mais amadurecida, contudo, não sei se há espaço para essa introspecção entre as minhas prioridades. Fica aí o princípio de um raciocínio que me pertuba por esses dias…

Technorati : ,

Leia Mais sobre: ,