A violência sem limites: o desabafo de um universitário desesperado
Quando assistimos cenas de tiroteio pela TV nunca imaginamos que um dia poderemos estar em meio a um. Não aconteceu propriamente comigo, mas com uma prima em uma cidade do interior de Minas. Ela foi atingida por uma bala perdida. Não desejo entrar em detalhes desnecessários. Aliás, essa é uma das faces da violência, programas de TV, adoram expor e banalizar a violência. Colocá-la como espetáculo. E os policiais adoram dar entrevistas e posar imponentes diante de tanta loucura.
Eu me pergunto até quando seremos vítimas disso? Não somente vítimas do crime direto. dos bandidos. Mas do crime da omissão das autoridades. Estamos desamparados. Talvez você ache que eu só estou falando disso por causa de um familiar atingido, mas já tive a oportunidade de denunciar a roubalheira que há nos programas assistenciais do governo, e fui ameaçado de processo por isso.
Não podemos cruzar os braços. Talvez você tenha o mesmo raciocínio da polícia e diga que foi uma fatalidade; um azar. Mas não compreendo como pode existir uma inversão no sentido das palavras a ponto de fatalidades serem corriqueiras. Aliás as fatalidades só existem até quando não ocorrem conosco.
Não espere ser o próximo, denuncie todo tipo de malandragem e safadeza. Não somente os ladrões sem uniforme. Mas principalmente os corruptos que estão dentro das organizações, que desviam verbas, que destroem um país tão lindo. A corrupção parece ser um fim em si mesma, no seu ato parece que não desencadeia uma série de conseqüências, mas a longo prazo prejudica a todos, inclusive você e eu…
Não é a toa que quem pode, está indo morar longe do Brasil. Nesses últimos meses é o que mais desejo. Estou prestes a me formar em Administração pela UFES e participo de um programa de bolsas na minha universidade. Todos os dias me pergunto se vale a pena. Vejo uma corrida enlouquecida dos amigos, um passando por cima do outro, e a prepotência de quem consegue um pequeno estágio, sem se dar conta que é mão de obra barata e descartável.
Enquanto isso a pesquisa está abandonada em todos os aspectos, tanto por quem financia como nós próprios. Pois por mais que tentamos, não há infra-estrutura para executar tarefas elementares como acessar a internet para colher informações.
Isso não é por falta de computador, mas por falta de gerenciamento mesmo. Pela forma oportunista que todos se comportam no ambiente acadêmico desde alunos, professores e diretores de centro, enfim, todo mundo tem uma parcela de culpa pelo caos da educação universitária.
Existe também o abandono do governo em gerenciar a universidade pública. O emparelhamento dos cursos para atender o mercado desenfreadamente, sem reflexão e sem colocar em prática estratégias que gerem uma economia que oportunize a todos.
Talvez você pergunte o que a universidade tem a ver com a violência. Seria forçar muito a barra dizer que há uma relação direta entre o que ocorreu com minha prima e as dificuldades em manter um sistema educacional funcionando a contento. Penso que os dois fatos tem um terceiro fator em comum, que é o abandono do estado para que grupos privados explorem os serviços públicos. O Brasil é palco de um capitalismo ao avesso. Um capitalismo que nunca foi praticado em país nenhum, capitalismo desestruturado, sem noção.
O pior de tudo é assistir um operário comandando isso. Ver um ex-operário ser feito de fantoche e se deliciar com o sistema que ele tanto combateu. Não vamos perder tempo colocando a culpa no presidente. Na verdade, seu tempo já está se esgotando e provavelmente não conseguirá fazer um sucessor. Temos agora que amadurecer nossa forma de pensar, desde já.
Os dois extremos já foram colocados. Por um lado o liberalismo extremo de FHC, por outro lado o estado sindical de lula. Os dois são um erro. A criminalidade ao longo dos anos só cresceu. Um plebiscito contra as armas foi colocado, a população está amargando um grande erro de não aceitar o desarmamento. Aliás me pergunto se o desarmamento fosse efetivado será que essa “fatalidade” teria ocorrido.
Enfim, hoje estou muito triste, ela tem 21 anos, não sabemos como vai ser as coisas daqui para frente. Se por esses dias eu já estava muito reflexivo e triste, imagine agora…
Leia Mais sobre: amigos, governo, internet, organizações




Formulário